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Mais desemprego

Não há indícios de que o desemprego esteja se estabilizando; Parece inevitável que, nos próximos meses, ultrapasse os 12% da força de trabalho

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2016 | 21h00

Continua forte a deterioração do mercado de trabalho. E não há indícios de que o desemprego esteja se estabilizando. Parece inevitável que, nos próximos meses, ultrapasse os 12% da força de trabalho.

Os resultados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios - Contínua (Pnad Contínua), levantada pelo IBGE, apontaram em abril um desemprego de 11,2%, o que corresponde a 11,4 milhões de pessoas que procuraram trabalho e não encontraram. Só no trimestre móvel terminado em abril, foi 1,8 milhão de pessoas a mais que não conseguiram emprego em relação ao trimestre móvel terminado em janeiro.

Isso não indica apenas fechamento de vagas. Indica mais dois movimentos, um demográfico e outro econômico. O movimento demográfico foi a chegada de 2,1 milhões de pessoas à idade de trabalhar (aumento de 1,3% em relação ao mesmo período de 2015). O movimento econômico corresponde a gente que não precisava trabalhar, ou porque vinha sendo sustentada pela família ou porque vivia de renda, mas agora passou a procurar emprego.

O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, resumiu com uma frase curta as dimensões desse problema: “Para cada posto de trabalho, surgiram duas pessoas à procura de emprego”.

É uma situação coerente com a queda forte do PIB, que, em dois anos, deve alcançar níveis entre 8% e 9%, e com a queda da renda familiar. Essa brutal recessão, por sua vez, é o resultado dos graves erros de política econômica que tiveram início ainda no segundo período Lula, mas que foram aprofundados ao longo dos primeiros quatro anos de governo Dilma. O eixo principal dessa lambança é a enorme desordem das contas públicas que deixou a dívida insustentável. Erros até agora não reconhecidos pela presidente Dilma.

O desemprego e a queda de renda das famílias tiveram e continuam tendo forte impacto sobre o nível de consumo que, por sua vez, acentua a queda das vendas e a recessão.

Os economistas e homens de negócios se perguntam até quando vai essa maré vazante porque, mal ou bem, o ajuste vem sendo realizado. O maior controle das contas públicas não tem outro objetivo.

Por enquanto, nada indica com certeza que o fundo do poço tenha sido alcançado. O que há são certas apostas de que, até o fim deste ano, será possível conferir uma boa reação. Mas até lá (ou quando isso acontecer) o deslizamento morro abaixo deve continuar, inclusive no emprego. A maioria dos analistas espera que, nos próximos meses, o nível de desocupação ultrapasse os 12% da força de trabalho.

O principal fator positivo é certa retomada da confiança que, por sua vez, pode acionar os investimentos. Há importante reviravolta, para melhor, das contas externas, a inflação e o câmbio parecem estabilizados e a equipe econômica é competente. Mas só isso não basta para virar o jogo. É preciso que o governo em exercício se consolide e tenha força para aprovar no Congresso as medidas destinadas à recuperação das contas públicas, coisa que ainda não aconteceu.

CONFIRA:

Aí você tem a evolução do rombo (déficit primário) de todo o setor público nos últimos dois anos.

Eleições à vista

O resultado das contas públicas do ano até abril apresentou superávit de R$ 4,4 bilhões. Esse número aponta coisas diferentes. Primeira, o padrão sazonal, quando as receitas do início do ano tendem a ser melhores. Segunda, o superávit de Estados e municípios (R$11,4 bilhões) que estão guardando caixa para mostrar serviço às vésperas das eleições. Mas as projeções são o desastre anunciado: déficit nunca visto de R$ 170,5 bilhões.

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