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Mais diálogo na citricultura

O cinturão citrícola formado por municípios de São Paulo e do Triângulo Mineiro responde por 80% da produção de laranja do País. Cerca de 87% dos citricultores da região são de pequeno porte - aproximadamente 11 mil. Foi para apoiar, atender e assegurar a renda desses agricultores que se desenhou a criação do Conselho de Produtores e Exportadores de Suco de Laranja (Consecitrus).

CESÁRIO RAMALHO DA SILVA *,

23 de maio de 2013 | 02h10

Baseado nos moldes do consagrado Consecana, esse conselho tem como objetivo organizar a cadeia produtiva da citricultura, estabelecendo, entre outras atribuições, parâmetros que norteiem de modo transparente a relação financeira de compra da produção, pela indústria, dos produtores. O Consecitrus visa a atuar na remuneração dos citricultores, oferecendo dispositivos contratuais que legitimem o pagamento equilibrado e justo.

Representados pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), os produtores paulistas já aderiram ao esforço de criação do Consecitrus, que, em breve, deverá passar a contar também com a participação dos citricultores de Minas Gerais e do Paraná, fortalecendo a representatividade da classe no conselho. Em correspondência encaminhada ao conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) Ricardo Ruiz, que analisa a criação do Consecitrus, o deputado Marcos Montes (PSD/MG) defendeu a inclusão dos produtores mineiros no conselho.

O caso da citricultura é emblemático. Mesmo sendo o maior produtor e exportador de suco de laranja, com um market share de 80% do comércio mundial, o setor citrícola nacional vive há muitos anos em crise. A reversão dessa situação exige ação homogênea de todos os envolvidos, a fim de resgatar a competitividade da citricultura em favor de produtores, exportadores e de um negócio importantíssimo para o País. Foi nesse sentido que a SRB e a CitrusBR levaram (e levam) adiante o objetivo de criar o Consecitrus.

Alguma iniciativa de reorganização da citricultura precisava ser feita, e a SRB não se absteve desta, aliás, que é uma de suas missões: mediar em favor do agro brasileiro, colocando o produtor em primeiro plano.

A realidade da citricultura já não é das melhores há alguns anos. Nas últimas seis safras, as exportações de suco de laranja caíram 17%, mas a produção cresceu 46%. Nos últimos oito anos o consumo baixou 7%. A demanda nos Estados Unidos caiu ainda mais, um recuo estimado em 29%. No mundo, as importações de sucos de diversas outras frutas dobraram nos últimos quatro anos. Além disso, o suco de laranja enfrenta forte concorrência de outras bebidas, como águas aromatizadas, isotônicos e energéticos.

Ao encampar o esforço e tomar a dianteira representando os produtores no conselho, a SRB procurou dar início ao entendimento em busca de uma solução. Mas jamais a entidade quis para si o monopólio da representação dos agricultores, como fizeram outras associações, que em ação prejudicial aos citricultores se retiraram do conselho. Na análise da SRB, o Consecitrus tem de contar com o maior número de entidades possível (mesmo as que agora renegam a iniciativa), a fim de dar capilaridade à ação. Silêncio, falta de diálogo e unilateralismo não fazem parte da agenda do conselho.

A SRB não quer a exclusividade da representação dos produtores, mas se considera também legítima representante da classe.  A entidade tem cadeira na câmara temática da citricultura do Ministério da Agricultura, desde 2007 participou de todas as reuniões na Secretaria da Agricultura de São Paulo que discutiram o conselho e foi no seio do seu departamento de citricultura, em 1999, que surgiu a ideia do Consecitrus. Se não bastasse isso, os quase cem anos de história da SRB já a credenciam como genuína porta-voz dos produtores.

No início, o Consecana só tinha 3 entidades, e conta hoje com mais de 30. O objetivo é que o mesmo (ou mais) ocorra com o conselho da laranja, reestruturando economicamente e socialmente uma das cadeias produtivas mais relevantes do agro brasileiro.

* CESÁRIO RAMALHO DA SILVA É PRESIDENTE DA SRB.

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