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Mais divergência que convergência

Os dirigentes do mundo ainda estão perdendo tempo com divergências nos diagnósticos e não conseguem aprofundar uma política convergente para os problemas que hoje são globais.A reunião dos ministros de Finanças do Grupo dos Oito (G-8, os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia), realizada no fim de semana em Osaka, Japão, mostrou apenas uma convergência. O resto foi discordância.A convergência foi a de que os administradores da macroeconomia estão preocupados com as altas do petróleo e dos alimentos e sentem o impacto que podem ter sobre a atividade econômica global. Mas não chegaram a um acordo nem sobre suas causas.O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, acompanhado pelo ministro das Finanças inglês, Alistair Darling, chamaram a atenção para os fundamentos. Para eles, o galope dos preços ocorre porque há um ambiente de desequilíbrio entre consumo e oferta, que se reflete na redução dos estoques e desestabilização do abastecimento.Enquanto isso, o ministro da Economia da Itália, Giulio Tremonti, e a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, puxaram a corda para o jogo do mercado. Para esses dois, o principal fator de alta dos preços é a especulação financeira.A divergência de diagnósticos sabota a definição de uma eventual ação coordenada para segurar os preços. Se tudo não passa de especulação, cedo ou tarde o problema se resolve com o estouro de algumas bolhas e a punição natural dos que jogaram errado. Assim, não haveria o que fazer além de impor mais regulação e, talvez, coibir essas práticas.No entanto, se o problema é desequilíbrio entre procura e oferta, a questão fica bem mais complicada. Enquanto a produção não chegar à altura da demanda, não há remédio na farmacopéia econômica senão puxar pelos juros para que o consumo fique desestimulado e o equilíbrio possa produzir-se numa das curvas seguintes.E aí chegamos ao segundo problema já tratado aqui em duas outras edições. São os bancos centrais que têm de puxar pelos juros. Mas eles tendem a ter uma percepção segmentada do problema. Não conseguem ver a arrancada dos preços como inflação global de demanda. Ao contrário, tendem a vê-la como inflação de custos, na medida em que as cotações são formadas nos mercados internacionais e vistas como itens que estão fora dos núcleos de inflação a atacar.Ontem, o analista Martin Wolf, do principal jornal de Economia e Finanças da Europa, o Financial Times, abordou esse problema para chegar à seguinte conclusão: "Se o mundo tivesse um banco central único e uma moeda única, esse banco central certamente apertaria sua política monetária (aumentaria os juros) diante da evidência das limitações da oferta mundial potencial sobre o crescimento econômico."Esta é a principal questão. Se todos os bancos centrais aumentarem os juros, a economia global tenderá a se reequilibrar. Mas, como ficou anotado acima, a julgar pelos pronunciamentos ouvidos na última reunião do G-8, os dirigentes do mundo ainda não estão de acordo nem a respeito das causas dos males que atacam a economia mundial. CONFIRAPara quando der - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisou ontem que só depois das eleições enviará ao Congresso o projeto de criação do Fundo Soberano do Brasil. Isso significa que, neste ano, o Fundo não sairá. E, no entanto, havia um mês que o ministro vinha repetindo que o projeto seria encaminhado "na semana que vem".Até agora, o superávit primário extra, de 0,5% do PIB, a que se comprometeu Mantega, estava vinculado à formação do patrimônio desse Fundo. Se ele não será criado, então falta o ministro comunicar que o superávit primário será formado independentemente da sua existência.

O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2008 | 00h00

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