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Mais do que perplexidade

As novas prisões determinadas pela Operação Lava Jato podem aumentar o risco de que ocorra nova onda paralisante da economia

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2015 | 22h06

As novas prisões determinadas pela Operação Lava Jato, a do líder do governo no Senado, senador Delcídio do Amaral (PT-MS), e a do presidente do grupo BTG Pactual, o banqueiro André Esteves, não produzem apenas perplexidade. Se o impasse político que esses fatos novos já desencadearam e que ainda podem desencadear não for prontamente resolvido, aumentará o risco de que ocorra nova onda paralisante da economia.

Esta foi claramente a percepção do mercado financeiro e dos agentes econômicos, tal como revelada pela substancial deterioração dos indicadores. Nesta quarta, a cotação do dólar saltou 1,09%, a Bolsa caiu 2,94% e o contrato de proteção contra o risco de calote do Brasil, o Credit Default Swap (CDS), abriu 27 pontos-base em relação ao dia anterior, para 427,35 pontos-base na compra, uma alta de 6,9% (veja o gráfico).

São manifestações de que o agravamento da crise política do Brasil tem potencial para travar ainda mais o encaminhamento das soluções para a atual encalacrada fiscal, sem as quais será impossível retomar o crescimento econômico e a criação de empregos.

A decisão do Senado, contra a posição do seu presidente, Renan Calheiros, de garantir o voto aberto e, em seguida, de acatar a decisão do Supremo, mostrou que os políticos estão sensivelmente vulneráveis às pressões populares. Os conchavos decididamente perdem força. Além disso, a maneira como foi tomada a decisão do Supremo deixou clara a contundência dos indícios, de modo a justificar a prisão de um senador em flagrante de crime inafiançável, como exige a Constituição.

Este episódio demonstra também a falta de cabimento das alegações daqueles que têm insistido em que, no desenrolar da Operação Lava Jato, o Ministério Público e a Justiça têm sido precipitados e seletivos nas suas ações.

Há dois dias, já havia sido cumprido pela Polícia Federal mandado de prisão do pecuarista, amigo do ex-presidente Lula, José Carlos Bumlai acusado de operação fraudulenta que também envolveu o Grupo Schahin e a Petrobrás com objetivo de dar cobertura a despesas de campanha do PT.

Essa prisão mais as duas realizadas nesta quarta apontam para nova escalada da Operação Lava Jato. Com ela surgem perguntas inevitáveis sobre o que ainda está para ser revelado e sobre quais outros supostos cedros do Líbano serão derrubados pela ventania.

Esperava-se que, ainda neste fim de mês, o Congresso finalmente fosse aprovar as decisões do governo que colocariam em movimento importantes pilares do ajuste fiscal. Agora, a agenda do Congresso foi atropelada por matérias de outra qualidade e de outra urgência.

Enfim, são novas fontes de insegurança que se somam às que já estavam aí e à enorme fragilidade política do governo Dilma.

Seja como for, renova-se a esperança de que a atividade política do Brasil esteja sendo finalmente passada a limpo e de que a corrupção, o patrimonialismo e o corporativismo estejam finalmente sendo seriamente atacados.

CONFIRA:

Aí está como evoluíram os juros básicos da economia (Selic).

Questão de dose

O fato mais importante da reunião do Copom desta quarta não foi a manutenção dos juros em 14,25% ao ano nem os 2 votos contrários, pela elevação dos juros. Mas foi a decisão de que os 2 diretores dissidentes entre os 8 votaram logo pela alta de meio ponto porcentual e não pela dose mais baixa, de 0,25 ponto. A tendência parece assim ser de nova alta dos juros, se a inflação continuar escapando. Mais explicações, só na ata, a ser divulgada na próxima quinta-feira.

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