Mais do que vender, empreender

Alguns vendedores diretos têm criado uma rede de revendedores entre amigos e parentes

Márcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2016 | 05h00

O medo de ser demitido fez dois profissionais começarem a traçar um plano B, ainda empregados, para obter uma renda extra com a venda direta. Em novembro de 2014, Allan Balthazar Dutra, de 31 anos, pós-graduado em sistemas de informação, começou a revender perfumes.

Na época, trabalhava com vendas há mais de dez anos, só que de projetos em Tecnologia de Informação (TI) para grandes empresas. Também estava insatisfeito com a carreira e os rendimentos. Tinha um salário bruto de R$ 10 mil, mas após os descontos lhe restavam R$ 7 mil.

Venda diretaEm conversa com um amigo percebeu viu a chance de ter uma renda extra com a venda direta de perfumes. O desafio era grande, pois, apesar de trabalhar com vendas, de perfumaria ele não entendia nada. “Só sabia espirrar perfume na mão dos amigos”, diz. Mas, logo no primeiro mês, oferecendo produtos para parentes e amigos próximos, ele e a mulher conseguiram obter uma renda de R$ 1,5 mil. “Na época, estava empregado trabalhava na venda direta à noite e nos finais de semana.”

Com a venda direta de perfumes, Dutra começou a montar uma rede de revendedores ligados a ele e às pessoas que integravam a sua malha de contatos. Com isso, conseguia ganhar com a venda de produtos e ainda obter um bônus com um porcentual sobre as vendas das pessoas indicadas por ele ou pelos amigos que estão na sua rede. Quando foi demitido, em março do ano passado, só com bônus ele tirava R$ 2,5 mil.

Sem emprego, Dutra teve mais tempo para se dedicar à venda direta. Em agosto do ano passado, conseguiu fazer um bônus de R$ 8 mil. “Ganhei mais na venda direta do que quando estava empregado.” Hoje, Dutra tira por mês entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil comercializando perfumes e mais de R$ 20 mil com bônus por conta da venda da 929 revendedores que estão cadastrados na sua rede.

No começo, ele cadastrou 15 pessoas para vender os perfumes, das quais 4 eram muito próximas. Mas ele comprou a ideia de ser mais que um vendedor e virar um empreendedor de venda direta, atraindo pessoas para o negócio. Entre os consultores da sua rede há pessoas em Foz do Iguaçú (PR), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF). “Cadastrei um grande amigo que mora no Capão Redondo. Não conhecia ninguém dessa região. Então, indiretamente, estou chegando às casas de família nessa região.”

Como a maior fatia do seu rendimento depende da venda de outros vendedores, Dutra gasta boa parte do tempo dando treinamentos, fazendo conferências pela internet e ensinando como vender perfumes e gerenciar o negócio. “Hoje, falo com tranquilidade sobre o assunto e explico nos detalhes a diferença entre colônia, água de toalete e perfume”, conta.

O esforço do empreendedor para ampliar a sua rede tem um objetivo. “A minha meta é atingir R$ 100 mil de receita até o fim do ano. Para isso, tenho de ter giro de produto.”

Crise. Também a supervisora de vendas de uma indústria química Rozana Brito Palma, de 40 anos, estreou na venda direta em novembro de 2015, vendendo produtos de limpeza doméstica. O investimento inicial foi baixo: R$ 59 na compra de um polevitamínico que é o passaporte para ser admitido na rede de revendedores. Além disso, gastou R$ 97 num kit de limpeza doméstica que ela usa em casa e também na demonstração para clientes.

Agora, ela pretende se dedicar cada vez mais ao novo negócio. “A crise chegou na minha casa”, diz ela. É que, em fevereiro deste ano, a empresa na qual seu marido trabalhava fechou as portas.

Com um salário de R$ 3 mil por mês, na firma onde trabalha há 13 anos, Rozana consegue tirar entre R$ 1,5 mil e R$ 2,3 mil na venda direta com a ajuda do marido. “Tenho muitos clientes, uso a internet, mas a maior parte deles é por indicação.” Na semana, o casal trabalha com venda direta duas horas por dia. No sábado, é o dia todo.

“Onde trabalho houve cortes desde dezembro. Por isso, tenho de me calçar para não ser pega de surpresa”, diz Rozana. / M.C.

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