Mais duas semanas para a compra de ações do BB

Os trabalhadores interessados na compra de ações do Banco do Brasil (BB) com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) podem fazer a aplicação em fundos de investimento até dia 22. Para isso, precisam ter em mãos o extrato do Fundo, cuja solicitação deve ser feita à Caixa Econômica Federal (CEF). O documento pode sair no mesmo dia, caso o investidor tenha em mãos todos os documentos necessários - carteira de trabalho, número do PIS - e, dessa forma, o número da conta seja localizado. O investidor também pode buscar seu saldo na Internet, no site da CEF (veja link abaixo).Analistas têm afirmado que os investidores não devem buscar essa aplicação, esperando obter o mesmo desempenho apurado pelos fundos de privatização formados pelas ações da Petrobrás e da Companhia Vale do Rio Doce. Além de uma perspectiva mais incerta em relação às projeções de valorização para as ações do BB, também as condições para a compra dos papéis não são tão vantajosas.Para a aquisição das ações com recursos do FGTS, não será concedido nenhum desconto, como aconteceu na operação com ações da Petrobrás e da Vale do Rio Doce. Já a aplicação de recursos próprios receberá um desconto de 5% sobre o valor da ação - porcentagem menor do que a concedida para as ações da Vale e da Petrobrás. No caso da aplicação de recursos do FGTS, vale destacar que o dinheiro permanecerá no fundo formado por ações ordinárias (ON, com direito a voto) do BB por, no mínimo, seis meses. A partir dessa data poderá ser transferido para um outro fundo de privatização e, a partir de doze meses, poderá retornar à conta do FGTS. Qualquer antecipação desses prazos só será permitida para as condições normais de resgate do Fundo.Muitas incertezas em relação ao desempenho da açãoAnalistas destacam que o maior foco de incertezas para o desempenho das ações do BB é a administração do banco. Isso porque, com a mudança de governo, não é possível ter clareza sobre como será a política de gestão de ativos da instituição. Em entrevista ao repórter Danilo Fariello, o analista da Socopa Corretora, Gregório Mancebo, avalia que a principal restrição está na possibilidade de uso do banco para a adoção de uma política econômica de crédito farto pelo próximo governo. O risco é que o banco fique mais exposto à inadimplência, o que poderia afetar seus resultados.De qualquer forma, há quem projete uma alta de 40% para o preço da ação, o que ficaria bem acima do rendimento do FGTS - variação da Taxa Referencial (TR) mais juros de 3% ao ano. Mas, como são formados por ações, esses fundos podem apresentar desempenho negativo, o que reduziria o saldo do FGTS.O investidor, de todo modo, tem amparo na adesão do BB ao Novo Mercado da Bovespa com a operação. Isso significa que o banco terá de respeitar regras de governança corporativa que oferecem mais garantias ao acionista. Por aí, será difícil ao governo negligenciar o lucro do BB e interesses dos aplicadores.

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