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Mais emprego entra como contrapartida

Centrais querem em troca do apoio ao movimento contra importações que empresas contraem mais e ofereçam garantias trabalhistas

Marcelo Rehder, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2010 | 00h00

As centrais sindicais querem metas de emprego como contrapartida de empresas e setores industriais aos benefícios tributários e medidas de retenção de importações que possam ser adotadas pelo governo. "Queremos garantias de geração de empregos decentes, como carteira assinada, além do compromisso de combate à precarização do mercado de trabalho", afirma o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique.

O sindicalista ressalta que, desde o início do primeiro mandato do governo Lula, a CUT tem cobrado a exigência de contrapartidas sociais em todos os financiamentos, investimentos e pacotes de incentivo mantidos com verbas públicas. "É um erro usar dinheiro público para ajudar empresários que demitem e que recorrem, por exemplo, ao trabalho escravo ou infantil."

Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Mogi das Cruzes e Região, entidade ligada à Força Sindical, acrescenta a necessidade de se garantir os investimentos em qualificação profissional e manutenção do nível de emprego. "A qualificação agrega valor na mão de obra", diz Torres.

Centrais sindicais e representantes da indústria resolveram juntar forças para pressionar o governo da presidente eleita Dilma Rousseff a tomar medidas para frear o processo de substituição de produção local por produtos importados. As conversas ainda não chegaram à definição de propostas concretas para atacar o problema.

"O comportamento das importações este ano demonstra um forte desequilíbrio que tem prejudicado a indústria nacional e a geração de empregos no País", observa Torres. "O agravamento desse quadro poderá, no curto prazo, gerar desemprego."

Invasão de veículos. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sergio Nobre, ressalta que as importações de veículos devem passar de 600 mil unidades este ano. O volume, segundo ele, equivale à produção de uma fábrica de grande porte.

Segundo informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), se esses veículos fossem produzidos no País, seriam gerados mais de 15 mil empregos diretos na montadoras e 75 mil indiretos em toda a cadeia produtiva.

Calçados. A indústria calçadista fechou 5 mil vagas no mês passado, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso, essa queda está diretamente ligada ao aumento das importações de países como Malásia, Indonésia e Vietnã, que foi de 26% de janeiro a novembro deste ano.

"Embora os dados mostrem redução na importação de pares, a compra de cabedais e outras partes de calçados disparou neste ano nos países que estão sendo monitorados", diz Cardoso.

Para o presidente da Abicalçados, isso é indício de triangulação, com a compra de componentes para montagem dos calçados em solo brasileiro.

"As empresas asiáticas que exportam grandes volumes para o Brasil se utilizam da venda de calçados desmontados para driblar a aplicação do direito antidumping, que atualmente vale somente para calçado pronto."

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