finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Mais emprego para os cinqüentões

Dados da Rais de 2006 revelam que o número de vagas tem crescido mais na faixa de idade entre 50 e 64 anos

Lu Aiko Otta, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

Os aposentados estão voltando ao mercado de trabalho para complementar a renda. No ano passado, a maior taxa de crescimento no emprego formal ocorreu entre os trabalhadores de 50 a 64 anos, segundo os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2006, divulgados ontem pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi. As vagas formais ocupadas por trabalhadores nessa faixa etária aumentaram 9,77% na comparação com 2005 - um crescimento acima da média, que foi de 5,77%. Por outro lado, os mais jovens não conseguem entrar no mercado de trabalho, apesar dos programas do governo específicos para esse grupo. Na faixa de 18 a 24 anos, o crescimento do número de empregos foi de apenas 3,08%. Na população entre 16 e 17 anos, o desempenho foi ainda pior: queda de 2,07%. Na avaliação de Lupi, porém, esse dado pode indicar que os jovens têm ficado mais tempo na escola.Em 2006, no total geral, foram criadas 1.916.632 vagas. É a maior variação absoluta desde 1985, quando se inicia a série da Rais. Além da maior oferta de emprego, houve aumento de 11,97% na massa salarial, a maior taxa de crescimento desde 1995. "Meu chutômetro é que a Rais de 2007 será ainda melhor que a de 2006", disse Lupi. "Todas as indicações vão nessa direção." PERFIL DO EMPREGOA Rais é uma das várias estatísticas de emprego elaboradas pelo governo, que leva em conta os trabalhadores com carteira assinada, inclusive os temporários, e os funcionários do setor público. É diferente dos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que considera também empregados domésticos e trabalhadores sem carteira assinada.Os dados traçam um perfil do emprego no País e mostram, por exemplo, que os trabalhadores com nível médio completo foram os que mais conseguiram colocação no ano passado. Das 1.916.632 vagas abertas, 1.299.862, ou 67,8%, foram ocupadas por pessoas nesse nível de escolaridade. Em contrapartida, trabalhadores com instrução inferior à oitava série completa enfrentaram a retração do mercado. Houve queda de 3,24% no total de pessoas empregadas com quarta série completa e redução de 2,09% nos analfabetos com emprego formal.Outra revelação da Rais é que Estados em áreas menos desenvolvidas, como Tocantins, Maranhão e Pará, são os que mostram maior taxa de aceleração na criação de postos de trabalho. Neles, a abertura de vagas foi superior a 9% no ano passado. "Estamos invertendo o êxodo rural", comemorou o ministro. Em termos absolutos, porém, São Paulo segue na liderança de oportunidades de trabalho. Foram abertos 554,4 mil empregos, um aumento de 5,68% sobre 2005.O setor de serviços foi o que mais contribuiu para o aumento do emprego em 2006, com 719.119 vagas. Em segundo lugar veio a indústria de transformação, com 461.322 novos postos, seguida pelo comércio, com 325.152, e pela construção civil, com 148.051. Já o setor público registrou aumento de 2,35% no total de empregados. Os números indicam, ainda, que as mulheres que concluíram o nível superior completo conseguiram emprego com mais facilidade do que os homens na mesma situação. Segundo a Rais, houve um aumento de 5,69% na quantidade de mulheres com nível superior completo empregadas, enquanto para os homens o aumento foi de 3,44%.Por outro lado, as mulheres ganham menos. Na média, as que concluíram o nível superior ganham 57,19% da remuneração recebida pelos colegas do sexo masculino. A desvantagem se repete em todas as faixas salariais. "As empresas estão contratando mulheres para pagar menos, essa é a única explicação", comentou o ministro.PÓS-APOSENTADORIAEm 2006, foram abertos 371.066 postos de trabalho para trabalhadores entre 50 e 64 anos. É uma quantidade próxima à faixa que mais encontrou emprego, aquela de 30 a 39 anos, na qual foram criadas 482.690 vagas. "As pessoas estão conscientes da necessidade de trabalhar após a aposentadoria", disse Lupi. Ele avalia que a necessidade de rendimento extra é a principal razão que leva os aposentados de volta ao mercado de trabalho. Mas também conta o fato de que as empresas têm buscado funcionários com experiência para treinar os mais jovens que estão ingressando no mercado. "Parece um dado negativo mas não é", disse Lupi. "Seria ruim se estivesse diminuindo o emprego nas outras faixas, o que não está acontecendo." Outro fator é o aumento da expectativa de vida. "Eu vou fazer 50 anos e me sinto um garoto de 21", exemplificou Lupi. "As pessoas se sentem bem e em condições de trabalhar."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.