Mais empregos, com salários mais altos

EDITORIAL

O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h07

Ainda é grande a diferença entre a remuneração paga pelas empresas de médio e grande porte e o salário recebido pelos empregados das empresas pequenas. Mas ela vem diminuindo continuamente, o que indica evolução da qualidade do emprego nas micro e pequenas empresas e reforça sua capacidade de absorção de mão de obra. Menos suscetíveis aos efeitos das crises externas, as empresas menores têm contratado mais empregados, formalizado maior número de funcionários e aumentado mais os salários do que as empresas médias e grandes nos últimos anos.

Em 2008 e 2009, quando os efeitos da crise mundial sobre a economia brasileira foram mais intensos, as micro e pequenas empresas geraram mais empregos do que as demais. Em 2010, dos 2,14 milhões de empregos com carteira assinada criados no País, os pequenos empreendimentos foram responsáveis por 1,6 milhão, ou 75%. Em 2011, de 1,9 milhão de postos de trabalho abertos até outubro, 1,4 milhão eram de empresas pequenas.

Quanto à remuneração, a dos empregados nas micro e pequenas empresas aumentou 14,3% em valores reais entre 2000 e 2010, enquanto a dos empregados das médias e grandes empresas cresceu 4,3%. Reduziu-se, assim, a diferença entre a remuneração média dos dois tipos de empresas. Em 2000, o ganho médio dos empregados das empresas menores era 43,8% menor do que o dos empregados das empresas maiores. Em 2010, a diferença era de 38,4%.

Voltadas basicamente para o mercado interno, as empresas pequenas foram favorecidas por algumas transformações ocorridas nos últimos dez anos. A ascensão de mais brasileiros para a chamada classe C, a expansão do mercado consumidor, o aumento real do salário mínimo, a expansão do crédito estão entre os fatores apontados pelo Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa - elaborado pelo Sebrae em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) - como impulsionadores da atividade dos pequenos negócios. Na última década, eles geraram 6,1 milhões de empregos formais, cerca de metade do total criado no período.

Dos 6 milhões de empreendimentos no País, 99% são micro e pequenas empresas. Dessas, 62% têm funcionários. Como elas geram ocupação também para seus proprietários, essas empresas respondem por 14,7 milhões de empregos com carteira assinada, ou 51,6% do mercado de trabalho formal. Esse número dá a dimensão do papel dessas empresas na renda da população. Elas têm também um papel social importante. Oferecem o primeiro emprego a milhares de brasileiros.

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