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Mais idosos estão trabalhando. Mas fazendo o quê?

Estudo nos EUA mostra que retardar aposentadoria diminui pressão na seguridade, mas empregos para mais velhos têm menor qualidade

Quoctrang Bui, The New York Times

21 de agosto de 2016 | 03h00

As regras do mercado de emprego não são as mesmas para um trabalhador mais velho. Quando homens e mulheres com 55 anos ou mais procuram um emprego, provavelmente vão perceber, em um dado momento, que as classes de emprego disponíveis para eles diminui de modo significativo.

Uma nova pesquisa realizada por Matthew Rutledge, economista do Center for Retirement Research no Boston College, nos Estados Unidos, concluiu que essas pessoas se encaixam cada vez mais na categoria que chama de empregos “para pessoas idosas”. E esses trabalhadores mais velhos com uma formação mínima têm muito menos oportunidades, embora o efeito disso seja pequeno, segundo o economista.

Ocorre que esses empregos são uma combinação de serviços muito especializados (como gerentes, supervisores de vendas e contadores) e os que não exigem especialização (como chofer de caminhão, porteiro e ajudantes de enfermagem). Não fazem parte da lista trabalhos que exigem muito esforço físico. Empregos na agricultura, manufatura e reparação representam menos de um quarto de todas as novas contratações nesta faixa etária.

O emprego na manufatura sofreu um forte declínio durante 20 anos, mas mesmo nessa categoria os trabalhadores mais velhos têm menos probabilidade de ser contratados do que seus colegas mais jovens. Por exemplo, homens e mulheres entre 55 e 64 anos têm 25% menos chances de conseguir um emprego de operador de máquina e 58% menos de conseguir um trabalho como metalúrgico.

Inversamente, esse trabalhador encontra emprego em setores de serviço menos especializados. A possibilidade é 65% maior de encontrarem emprego na área de puericultura e de 93% como motoristas de táxi, e duas vezes mais no varejo.

Rutledge também analisou os critérios que favorecem o trabalhador mais idoso. Usando um banco de dados onde é classificada cada tarefa com base no tipo de competência que ela exige, o economista concluiu que ocupações com maior número de trabalhadores mais velhos exigem uma maior dependência e mais trabalho externo, mas menos habilidades de aprendizado, numéricas e físicas. Ele concluiu também que, no geral, essas ocupações pagam salário menor. Empregos que favorecem trabalhadores mais velhos pagam salários de 6% a 11% menores do que os recebidos por trabalhadores mais jovens.

Busca. Mas, apesar desses obstáculos, as pessoas mais velhas não deixaram de buscar trabalho. Usando um estudo longitudinal de famílias e indivíduos de um recenseamento, Richard Johnson, membro do Urban Institute, concluiu que, entre 2008 e 2012, trabalhadores com 62 anos ou mais com formação universitária tinham menos de 50% de chance de encontrar trabalho depois de dois anos de busca intensa. Para integrantes desse mesmo grupo de idade, mas sem um curso superior, as chances eram de 35%.

Esperava-se que a participação dessa geração dos anos 50 no mercado de trabalho caísse como consequência natural do envelhecimento. É o que vem ocorrendo. Mas, em parte por causa da grande recessão, hoje um número maior de idosos ingressou no mercado de trabalho. Segundo Gary Burtless, economista na Brookings Institution, entre 2007 e 2014, o maior aumento de empregos em todos os grupos de idade se verificou entre o de pessoas entre 62 e 64 anos; a participação dos homens cresceu 2,9% e das mulheres 4,5%. Um contraste marcante com um misterioso declínio da taxa de participação de trabalhadores na flor da idade na população ativa do país.

Há várias razões pelas quais vemos mais idosos no mercado de trabalho hoje em comparação com gerações anteriores. Um número menor deles desfruta de uma pensão. Muitos foram muito prejudicados financeiramente durante a recessão. As pessoas estão vivendo mais e são mais saudáveis, e hoje o trabalho exige menos fisicamente. Além disso, a ampliação dos benefícios para quem perde um emprego são um incentivo para as pessoas que prefeririam se aposentar e não mais trabalhar. Mas, na verdade, há menos opções, os salários são menores, e há mais rejeição. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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