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Mais índices confirmam inflação menor no curto prazo

Mais uma rodada de índices mostrounesta semana desaceleração da inflação no Brasil por conta damenor pressão de alimentos. Embora um deles tenha superado asprevisões e gerado aumento dos juros futuros, analistas apontammanutenção da Selic na próxima reunião do Banco Central. Já a trajetória do juro básico à frente vai depender maisdos próximos dados de atividade que dos índices de preços --oque, por enquanto, divide o mercado entre os que apostam emqueda ou alta da Selic. "A tendência da inflação de curto prazo é de desaceleração,conforme mostraram os últimos números. São fatores pontuais dedesaceleração, vindo sobretudo dos alimentos... Esses últimosnúmeros podem dar uma contida nas expectativas de inflação doano", disse Fabio Knijnik, economista do Bes Investimento. Nesta terça-feira, a Fundação Instituto de PesquisasEconômicas (Fipe) informou que a inflação ao consumidor de SãoPaulo caiu para 0,16 por cento na terceira quadrissemana defevereiro, ante 0,22 por cento na segunda. O dado foi o menordesde meados de novembro do ano passado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15(IPCA-15) avançou 0,64 por cento neste mês, abaixo da variaçãode 0,70 por cento vista em janeiro. Mas o dado superou o teto das projeções obtidas pelaReuters, de 0,62 por cento, e os juros na Bolsa de Mercadorias& Futuros (BM&F) abriram o dia em alta. FUTURO AINDA INCERTO "O IPCA-15 veio um pouco distorcido por causa da pressão deeducação. E por conta do calendário que mede (15 de janeiro a14 de fevereiro), o índice ainda não pegou com consistência adesaceleração dos alimentos que deveremos ver no IPCA fechadodo mês. O IPCA deve vir menor", afirmou Flávio Serrano,economista-chefe da López León Markets. "De qualquer forma, isso não vai fazer com que o mercadopasse a acreditar em alta de juros" na reunião de março. O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se em 4 e 5 demarço e a expectativa é de que a Selic seja mantida em 11,25por cento ao pela quarta vez. Serrano acredita que a próxima vez em que o BC mexer nojuro será para baixo, ainda neste ano. Já Knijnik, do Bes,prevê alta em abril ou em junho. "Sou mais agressivo em relação aos juros e prevejo aumento,mas esse IPCA-15 não é argumento para usar, dizendo: 'estávendo? A inflação está subindo'. O BC está mais preocupado comatividade", disse Knijnik. Na véspera, a FGV informou que o Índice de Preços aoConsumidor Semanal (IPC-S) subiu 0,23 por cento na terceiraleitura do mês, bem abaixo da alta de 0,48 por cento nasegunda. Na quinta-feira, a FGV divulgará o Índice Geral dePreços do Mercado (IGP-M) de fevereiro. A principal contribuição para a desaceleração dos trêsíndices desta semana veio dos alimentos, que revertem neste mêsa forte alta mostrada desde o final do ano passado. Essa elevação foi causada por entressafras de algunsprodutos, elevadas cotações de commodities nomercadointernacional e colheitas prejudicadas pelo clima quentee chuvoso de janeiro. No IPC-S e no índice da Fipe, os preços de educaçãoaceleraram em janeiro e estão revertendo a alta em fevereiro,enquanto a metodologia do IPCA-15 faz o indicador apurar essapressão apenas neste mês. O IPCA fechado de janeiro também devecaptar um aumento nos preços de educação. (Edição de Daniela Machado)

VANESSA STELZER, REUTERS

26 de fevereiro de 2008 | 11h56

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