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Mais investimento, parceria e inovação para o agronegócio

Brasil está às portas da segunda ‘revolução agrícola’, capaz de garantir alimentos para o mundo, mas há vários obstáculos a superar

Camila Turtelli,Renato Oselame, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2015 | 15h58

O Brasil já se consolidou como um grande produtor de alimentos e inevitavelmente se transformará no principal abastecedor de commodities agrícolas do mundo daqui a alguns anos. Para tanto, porém, é necessário aplicar mais recursos em logística, infraestrutura, pesquisa, tecnologia, extensão rural, capacitação, crédito e seguro rural, sendo que boa que parte desses investimentos deve ser feita não só pelo governo, mas também pela iniciativa privada. Além, é claro, de conciliar a produção à preservação do meio ambiente, usando com absoluta parcimônia os recursos naturais que são finitos – incluindo a água. Tecnologia já há inúmeras disponíveis, mas devem ser usadas em conjunto para garantir seu máximo aproveitamento. Estes temas principais permearam as palestras do Summit Agronegócio Brasil 2015, realizado pelo Estado em 26 de novembro, quinta-feira, com patrocínio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).

Interessados de fora. “É preciso muito mais investimentos do que estamos fazendo hoje. E as condições do País podem atrair muitos interessados de fora”, afirmou o representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Alan Bojanic. O professor José Vicente Caixeta Filho, da Esalq/USP, sugeriu investimentos em estruturas de armazenagem. Ele avaliou que, além da dependência do transporte rodoviário, a capacidade de guardar a safra é limitada. “Produtor não tem onde armazenar e usa o caminhão como silo; isso eleva o frete.”

O presidente do Conselho da Cosan, Rubens Ometto, foi enfático ao dizer que a iniciativa privada deve investir pesado no agronegócio: “Não podemos ter um governo muito partícipe nisso. Eu acredito na livre iniciativa”. O presidente da Cosan, Marcos Lutz, estimou que o desperdício pelos gargalos logísticos no Brasil equivale a 5% do Produto Interno Bruto. Ele reforçou a necessidade de diversificar os modais brasileiros e defendeu o aumento da participação das ferrovias.

Governo. O evento contou com a participação de dois membros do primeiro escalão governamental: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o vice-governador de Mato Grosso, Carlos Fávaro (PSD). Alckmin destacou que, na atual crise brasileira, o agronegócio “tem sido uma exceção”. “No momento de crise e dificuldades, este setor é o que tem trazido boas notícias”, disse. Já o vice-governador Fávaro, de MT, concordou com Ometto em relação à necessária integração entre governo e iniciativa privada para concretizar investimentos que beneficiem diretamente o agronegócio. No caso, a recuperação de estradas. “Temos um desafio gigante para melhorar as rodovias em Mato Grosso”, declarou, ao lembrar que apenas 10% da malha rodoviária do Estado é asfaltada. “Para isso, contaremos com o apoio dos próprios produtores. Não podemos esperar dinheiro de Brasília ou da China.”

Para garantir alimentos para o mundo, o Brasil também deve lançar mão de tecnologia para não ter de abrir mais áreas de florestas. Por isso o pesquisador Silvio Crestana, da Embrapa, disse que a “nova revolução” agrícola passa agora por um segundo ciclo, de recuperar as áreas degradadas. Neste contexto, o presidente no Brasil da John Deere, Paulo Herrmann, garantiu que a fabricante de máquinas agrícolas investiu US$ 2 bilhões nos últimos anos para adequar sua tecnologia aos trópicos. O diretor de Operações de Negócios Brasil da Bayer CropScience, Rafael Villarroel, ressaltou, porém, que nenhuma tecnologia pode ser usada isoladamente. “É preciso combiná-las para que elas mostrem todo o seu valor.” Combinação também deve haver entre produtor e agroindústria, na visão do professor da USP Decio Zylbersztajn. “Deve haver integração entre essas pontas e também com a universidade”, declarou, no painel sobre novos cenários para a coordenação entre a agricultura e a pecuária.

Crédito. Em painel exclusivo, o presidente do Banco do Brasil, Alexandre Corrêa Abreu, ressaltou, porém, que o uso de mais tecnologia nesta safra (2015/2016) pode estar comprometido, dada a baixa demanda por crédito para investimento por parte do produtor rural. “Nós achamos que o aumento da produtividade está ligado ao aumento do investimento. É um ponto de atenção nesta safra”, declarou, referindo-se ao possível menor uso de tecnologia decorrente disso.

Segundo ele, os desembolsos do crédito rural entre julho e setembro somam R$ 21,7 bilhões, com média de R$ 334 milhões por dia útil, avanço de 30% ante o mesmo período de 2014. Abreu não informou porém, qual o montante destinado ao investimento e qual se refere à linha para custeio, cuja demanda aumentou este ano.

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