Mais juros para conter a inflação e maior custo para a sociedade

A decisão da diretoria do Banco Central por um aumento de 0,5 ponto porcentual na taxa Selic sinaliza a opção por uma estratégia de mais longo prazo para trazer a inflação para a meta de 4,5% este ano. Nas mais de três horas de reunião, também foi considerada a alternativa de uma alta de 0,75 ponto porcentual, cogitada pela minoria do mercado, que daria maior intensidade ao combate à inflação.

Beatriz Abreu, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

A opção pela aposta majoritária não significa uma postura menos ousada do BC, segundo uma fonte. "Indica apenas que prevaleceu o entendimento de que é possível diluir o ajuste ao longo das próximas reuniões".

A percepção do quadro inflacionário não mudou em relação ao cenário do final do ano e confirma os dados da pesquisa Focus, que projeta um IPCA de 5,42% ao final de dezembro.

"O quadro a princípio não é muito diferente", disse essa fonte. Independente do resultado da reunião do Copom, uma alta de 0,50 pontos porcentuais ou de 0,75 pontos porcentuais, o importante é a definição da estratégia do Banco Central. Não há descontrole da inflação, mas o ajuste poderia ser mais rápido.

A necessidade, agora, é trabalhar as expectativas. Na avaliação do BC, a alta de preço dos alimentos é persistente, o que exige uma ação de política monetária, ou seja, alta dos juros para inibir novos aumentos.

Existe o temor de que as expectativas sejam contaminadas se houver a percepção de que os preços não estão cedendo. Essa análise não indica um cenário negro pela frente. Tampouco seria motivo de maior preocupação se o Copom tivesse optado pela alta de 0,75 ponto porcentual.

Há ainda a possibilidade de o governo, de fato, segurar seus gastos e fazer um superávit primário (receita menos despesas, exceto pagamento dos juros) de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), como afirmou a presidente Dilma Rousseff.

O cumprimento da meta fiscal é um dos braços auxiliares do Banco Central para dosar a taxa de juros, apesar do entendimento de que a inflação volta para meta apenas com a ação de política monetária.

No entanto, caso o governo adote novos instrumentos para abater seus gastos do total de dinheiro para cumprir a meta de 3% do PIB, não há alternativa: mais juros para conter a inflação e maior custo para a sociedade.

Esse é um cenário que vai se confirmar ou não nos próximos meses, gerando uma agravante para o controle da taxa de câmbio. Afinal, cada vez que os juros sobem mais, os investidores renovam as apostas de maiores ganhos financeiros no Brasil.

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