Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Mais da metade dos brasileiros usa meios de pagamentos digitais, indica pesquisa do Banco Mundial

Apesar de aumento em números de contas bancárias e transações online, País ainda tem espaço para desenvolvimento no setor

Hugo Barbosa e Ramiro Brites, especial para o ‘Estadão’

29 de junho de 2022 | 10h00

Estudo do Banco Mundial divulgado nesta quarta-feira, 29, revela que a pandemia acelerou os pagamentos digitais em todo o mundo. A América Latina foi a região que mais aderiu a essas modalidades financeiras. Apesar disso, ainda há espaço para crescimento neste segmento. São 150 milhões de pessoas com contas bancárias que usam dinheiro em espécie, e, desse montante, 50 milhões são brasileiros.

No Brasil, em particular, mais da metade do público adulto fez pagamentos por meios virtuais e 18% realizou o procedimento pela primeira vez. Por outro lado, 17% dos adultos com conta no Brasil não usaram o banco digital. Os dados são da pesquisa “Global Findex Database"; que é desenvolvida a cada quatro anos pelo Banco Mundial. O último relatório, com resultados de 2021, foi concentrado em inclusão financeira, pagamentos digitais e resiliência na era da Covid-19.

A responsável pelo estudo, Leora Klapper, economista líder da equipe de pesquisa do setor financeiro do Banco Mundial, afirma que a rápida adaptação do Brasil aos pagamentos online durante a pandemia demonstra que a estrutura digital do país está pronta para acelerar o desenvolvimentos dessas transações. O estudo evidencia que a crise epidemiológica foi um catalisador a essa tendência.

“Resta saber se as pessoas que adotaram pagamentos digitais durante o Covid-19 continuarão a usá-los quando a pandemia diminuir”, pondera Klapper, em entrevista ao Estadão. No Brasil, 35% dos empresários que usam bancos digitais o fizeram pela primeira vez durante a partir da Covid-19.

 

Segundo a pesquisa, a digitalização dos bancos desenvolve a economia, pois facilita a circulação da moeda. De acordo com o Banco Mundial, o distanciamento social e o cuidado com a higiene podem ter acelerado a migração às transações online.

O relatório ainda mostra que 30% dos adultos, na América Latina, pagaram contas de energia elétrica, coleta de lixo ou água diretamente da conta bancária. Desses, 15% nunca haviam utilizado esse meio de pagamento.

Taxas altas afastam brasileiros dos bancos

Mais de 60% dos adultos brasileiros que não têm contas em bancos afirmam que o custo é o principal empecilho para aderirem a uma instituição bancária. A nível mundial, os altos preços são o motivo alegado para 36%.  

Desigualdades sociais também impactam os resultados da pesquisa no Brasil. Entre os adultos ricos, 85% possuem acesso a bancos, enquanto entre os mais pobres o número é de 82%.

Em relação ao gênero, a disparidade é maior. Embora o País tenha aumentado em 15 pontos percentuais a abertura de contas, o número de mulheres titulares é sete pontos percentuais menor do que os homens. Ao considerar a América Latina e Caribe, a adesão aos bancos cresceu em 18 pontos percentuais, o maior aumento entre todos os continentes.

O Banco Mundial também apresenta dados relativos à inadimplência de consumidores. Na Argentina e no Brasil, um quarto dos adultos que usam cartão de crédito não pagam a conta dentro do prazo de vencimento.

Transações online contra violência

O estudo também sugere que a inclusão digital no mercado financeiro pode combater a violência. “A pesquisa mostra que pagamentos digitais, que permitem consumidores, empresários e funcionários evitarem carregar dinheiro em espécie, também podem oferecer segurança”, disse Leora Klapper ao Estadão.

“Por exemplo, se analisarmos por 20 anos os dados de criminalidade do Missouri, nos Estados Unidos, observamos que a introdução de uma rede segura de pagamentos digitais reduziu roubo, assalto e furto. As taxas gerais de criminalidade caíram 9%”, completa.

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