Mais ricos planejam gastar menos neste Natal

Pesquisas da FGV e CNI mostram que a crise preocupa e afeta a intenção de compras no fim do ano

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indicam que os consumidores brasileiros estão apreensivos neste Natal, em especial quem ganha acima de R$ 9,6 mil. O Indicador de Gastos com Presentes de Natal deste ano mostrou que de 2007 para 2008 houve um aumento expressivo nos entrevistados que pretendem gastar menos neste fim de ano - de 17,5% para 42,8%. Os que planejam gastar mais perderam participação. Em 2007, eram 12,2%; neste ano, são apenas 7,4%.Um dos destaques entre as faixas salariais que pretendem diminuir as despesas neste Natal é a que ganha por mês entre R$ 4,8 mil e R$ 9,6 mil. A pesquisa aponta que aumentou de 18,4% para 44,61% o número de pessoas que quer gastar menos em relação ao ano anterior. No Brasil, 44,9% dizem que querem diminuir as despesas natalinas. Em 2007, apenas 25,8% afirmavam que iriam diminuir o orçamento para as compras de fim de ano.A intenção de gastar menos com os presentes se reflete em outra pesquisa da FGV. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de novembro apontou para uma queda no ânimo principalmente entre a população de alto poder aquisitivo. A retração foi de 4,2%; o menor nível da série histórica, iniciada em setembro de 2005. Em comparação a novembro de 2007, a queda foi de 15,2%.A principal razão para o resultado foi a pior avaliação do consumidor a respeito da situação financeira familiar e em decorrência da menor predisposição para a compra de bens duráveis nos próximos meses.Também caiu a participação daqueles que avaliação a situação financeira da família como boa - de 20,6%, em outubro, para 17%, em novembro.A pesquisa Sensus da Confederação Nacional da Indústria (CNI)/Ibope, divulgada no início da semana, sinalizou a mesma tendência. Quem tem mais escolaridade e renda se sente mais atingido e preocupado com a crise. Flavio Castelo Branco, gerente de Política Econômica da CNI, diz que a classe A é mais afetada porque está mais ligada ao mercado financeiro. "A riqueza financeira foi afetada e as pessoas começam a reavaliar os padrões de gasto", opina.Para o diretor do Programação de Administração do Varejo (Provar), Claudio Felisoni, a população de altíssima renda não deverá mudar os hábitos de consumo. Segundo dados do IBGE, o Brasil tem hoje cerca de 100 mil pessoas com renda familiar mensal acima de R$ 50 mil. "A alta renda tem mais sobras para as despesas, enquanto as classes D e E gastam cerca de 50% da renda com alimentos e produtos de higiene".CRISE NO LUXOPesquisas mostram que os primeiros a se impressionar com o desmantelamento da economia mundial foram aqueles com melhor poder aquisitivo. Segundo dados da consultoria Bain & Company, o luxo deverá sofrer a primeira recessão dos últimos seis anos. A retração entre aqueles com altíssimo poder aquisitivo, de acordo com o estudo, começou assim que a crise estourou, em setembro, com a quebra do Banco Lehman Brothers. Mercados emergentes como o Brasil, Rússia, China e Índia devem sentir menos o debacle global. O levantamento mostra um aumento global de apenas 3% das vendas de bens de luxo em 2008, chegando a 175 bilhões. Em 2009, a queda deverá chegar a 7%."O impacto da crise financeira vai causar recessão em alguns setores. O quanto e por quanto tempo, depende, em parte, de como as empresas vão reagir. As que mais resistirão são aquelas que possuem marcas internacionais fortes e diversificadas", explica Claudia D?Arpizio, sócia do escritório da consultoria com sede em Milão e principal autora do estudo.

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