Mais sinais de alerta sobre economia americana; Bolsa cai 3,67%

Citigroup anunciou prejuízo acima do esperado; vendas vieram mais fracas nos EUA

Agência Estado,

15 de janeiro de 2008 | 18h12

O temor dos investidores com o a gravidade da crise do sistema imobiliário norte-americano provocou fortes perdas nas bolsas do mundo todo. O medo aumentou depois que o Citigroup anunciou um prejuízo acima do esperado. Também as vendas no varejo nos EUA com resultados mais fracos acenderam o sinal de alerta sobre um desaquecimento mais forte da economia norte-americana. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), apesar da notícias positivas no mercado interno, fechou em baixa de 3,67%, em 59.907 pontos.     O Citigroup anunciou nesta terça-feira, 15, seu primeiro prejuízo trimestral desde sua criação em 1998, atingido pelas baixas contábeis devido à crise relacionada às hipotecas de risco (subprime) e outros débitos. O prejuízo líquido total do maior banco dos Estados Unidos foi de US$ 9,83 bilhões. A perda por ação foi de US$ 1,99 por ação. Analistas consultador pela Reuters previam uma perda por ação de US$ 1,01. O banco revelou ainda que reduziu seus dividendos trimestrais (valores pagos aos acionistas) em 41% e levantou US$ 14,5 bilhões em oferta de papéis. Nos últimos dias, além do mercado financeiro, a economia real também tem sinalizado o risco de desaquecimento forte da economia nos EUA. Nesta terça, foi divulgado que as vendas do varejo caíram 0,4%, mostrando um declínio mais pronunciado do que o 0,1% previsto por analistas. O consumo é uma das forças da economia norte-americana. Excluindo automóveis, as vendas tiveram queda de 0,4%, ante previsão de declínio de 0,2%. Diante deste cenário, os investidores também reforçaram a possibilidade de corte de 0,75 ponto porcentual na taxa de juro norte-americana, em reunião marcada para o final do mês. Hoje a taxa está em 4,25% ao ano. O fato é que em um ambiente de recessão nos Estados Unidos, as economias no mundo todo perdem. Os americanos são os maiores consumidores e, por isso, são diretamente responsáveis pelos resultados das empresas exportadoras no mundo. As ações na Europa também sofrera nesta terça. Os papéis fecharam em seu menor nível em 15 meses - 1.397 pontos, baixa de 2,4%. É o menor nível desde 3 outubro de 2006. Nos Estados Unidos, às 18h15, o Índice Dow Jones opera em queda de 2,21% e a Nasdaq recua 2,65%. Mercado cambial O aumento da aversão a risco no mercado externo também pressionou o dólar. O Banco Central também colaborou através da compra em leilão à tarde de cerca de US$ 100 milhões, estimaram operadores consultados. A moeda norte-americana fechou na cotação máxima do dia, de R$ 1,7520, alta de 1,04%. A expectativa é de que o dólar poderá se sustentar em alta nos próximos dias, por causa das incertezas sobre os próximos indicadores e eventos aguardados. Amanhã, serão divulgados vários resultados da economia americana: o índice de preços ao consumidor (CPI) e a produção industrial de dezembro, os dados da atividade no setor de hipotecas na semana passada, o índice de atividade das construtoras de casas em janeiro, o fluxo internacional de capitais em novembro e os estoques de petróleo na semana passada. Além disso, o JP Morgan divulgará seu balanço trimestral e, às 17 horas, o Federal Reserve norte-americano divulgará o "livro bege", sumário sobre as condições da economia dos EUA que servirá de base para as decisões de política monetária do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve).

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