Mais sinais de estagnação do mercado de trabalho

Principal trunfo eleitoral da presidente Dilma Rousseff na luta pela reeleição, o emprego dá sinais de declínio e tende a piorar, segundo o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) e o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), pesquisados mensalmente pela FGV. O economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, responsável pelos indicadores, observou que os resultados são consequência direta da tendência de estagnação dos negócios - a última pesquisa Focus feita sexta-feira pelo Banco Central mostrou que os agentes econômicos preveem crescimento de apenas 0,28% do PIB neste ano.

O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2014 | 02h03

Os dois índices de emprego da FGV tomam por base três séries da Sondagem da Indústria, três da Sondagem do Setor Serviços e uma da Sondagem de Expectativas do Consumidor. Baseiam-se, portanto, nas tendências de emprego refletidas nesses levantamentos, na situação atual e nas perspectivas dos negócios e nas expectativas em relação ao mercado de trabalho.

Nos últimos 12 meses, o melhor resultado apresentado pelo IAEmp ocorreu em dezembro, com 86,9 pontos. O índice vem recuando sem parar a partir daí, até chegar aos 71,6 pontos, em setembro, queda de 15,3 pontos ou 17,6%. O índice de setembro também foi o menor desde maio de 2009, um ano de recessão.

O pessimismo com o emprego alcançou o setor de serviços, que continua contratando, mas em ritmo cada vez menos intenso. Segundo o IAEmp, "a contínua redução nas projeções de contratações futuras mostra que o desânimo em relação ao crescimento do PIB e da atividade econômica está se disseminando em ritmo mais forte no mercado de trabalho". Quanto ao desemprego, o ICD registrou a sexta alta consecutiva, com aumento de 1,4% entre agosto e setembro. Ou seja, a situação do emprego se deteriora.

Ao contrário do que possa parecer, não há conflito entre as tendências captadas pelos indicadores da FGV e os números do IBGE, que mostram o nível de emprego muito alto. A diminuição da População em Idade Ativa (PIA) que procura emprego fez cair também a População Economicamente Ativa (PEA). Como é calculado com base na PEA, quando esta se reduz, o nível de emprego pode melhorar mesmo sem a abertura de nenhum posto de trabalho.

Com a inflação em alta e a renda em queda, é provável que quem podia trabalhar, mas não o fazia, passe a procurar emprego - o que aumentará a PEA e o número de desempregados, piorando as estatísticas.

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