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Mais sinais de tranqüilidade na economia

Bolsas em alta, petróleo em baixa, mercado financeiro tranqüilo e preços dos alimentos se estabilizando. Esse é o novo cenário que se desenha na semana, mostrando que a economia mundial - e brasileira, também - está enfrentando com galhardia os efeitos da crise imobiliária e o desafio da inflação. Confirma-se mais uma vez a previsão de que o furacão virou tempestade e, talvez, até mesmo ventania, se os bancos centrais continuarem acertando e não ocorrerem choques geopolíticos no Oriente Médio.Ontem foi um desses dias típicos de sinais positivos. A bolsa americana manteve-se equilibrada, até com ligeiro ganho, fato significativo, pois no dia anterior, terça-feira, havia registrado forte alta, de 2,5%, em média. Evidentemente, ela e a bolsa brasileira ainda acumulam perdas no ano, aceitáveis, porém, considerando o grande estrago que a crise imobiliária e financeira provocou nos últimos 12 meses.O banco central americano deu mais tranqüilidade ao manter a taxa de juro em 2% (em setembro do ano passado estava em 5,25%), deixando claro que, mesmo atacando, agora, a inflação, não pretende desestimular a economia ou agitar ainda mais o mercado financeiro, com uma alta da taxa. A inflação é o foco, mas Bernanke e seus colegas não estão prevendo nenhum repique no médio prazo.PETRÓLEO, ALIMENTOSE isso porque o preço do petróleo continua recuando e o das commodities agrícolas se estabiliza. Ambos são fatores decisivos no cálculo da inflação. O petróleo é, sem dúvida, o mais importante. Ele já recuou 20% neste mês, embora permaneça ainda em níveis excessivamente altos. Os motivos disso já foram expostos nesta coluna, mas ontem havia um fato novo no mercado: a Arábia Saudita, que aumentou em 500 mil barris diários a oferta, informou que a partir de setembro reduzirá o preço do Arábia Light nas vendas para os Estados Unidos e a Ásia. No fim da tarde, havia discordância entre os analistas se esse seria o início de uma tendência de baixa; afinal espera-se ainda o resultado das negociações com o Irã sobre seu projeto nuclear, e logo mais começarão a serem feitas as compras para se enfrentar o inverno no Hemisfério Norte. A volatilidade vai manter-se, mas só deverá ocorrer um novo salto para US$ 145 se a situação no Oriente Médio se agravar, o que é sempre possível.BRASIL RESISTE BEMNeste quadro externo, estamos meio afobados, mas estamos indo bem. Os indicadores econômicos continuam alimentando certo otimismo; quase todos eles são positivos, com exceção de dois: inflação e comércio exterior. A inflação é, no momento, a questão principal; é seria, é o principal desafio, um desafio muito sério, que precisa ser enfrentado agora, não pode ser deixado para depois.A economia continua aquecida; o crédito ao consumidor e as vendas não param de crescer e os preços dos alimentos, mesmo com ligeira trégua, parecem se ter estabilizado, sim, mas em níveis altos.Poderemos não ter mais pressão se os preços externos se estabilizarem, mas o consumo interno continua aumentando, estimulado pelo auspicioso aumento de renda dos assalariados.Quanto ao comércio exterior há dois fatos: um, positivo, a estabilização dos preços dos alimentos no mercado internacional, mas é logo contrabalançado por outro negativo, a redução da receita cambial. Ela depende hoje essencialmente das exportações dos produtos agroindustriais. O resultado desconfortável é a redução do saldo da balança comercial, onde o nosso superávit vem caindo drasticamente nos últimos anos. E ele é tem uma importância única como fonte de recursos cambiais, neste momento em que temos déficit nas nossas contas com o exterior. TUDO AJUDA, POR ENQUANTODe qualquer forma, esse é um quadro que poderíamos chamar, talvez com algum exagero, até de confortável, muito ao contrário do americano e europeu. A crise financeira e a desaceleração da economia mundial, que deve crescer só 4% neste ano, não estão nos afetando muito seriamente porque, após muita hesitar, o governo deu liberdade para o BC agir em tempo e concordou em adotar medidas para desaquecer a economia para evitar a inflação. Mesmo assim, vamos acompanhar o mundo, com pouco mais de 4% de crescimento. A bolsa continuará sendo a mais vulnerável, com a saída de investidores estrangeiros para cobrir prejuízo, ou sua migração para títulos do governo; mas o que pesa é a concentração em algumas grandes empresas. Ela está vivendo uma fase de reajustamento.O PIOR PASSOU?Esta é sempre a pergunta que os leitores me fazem. Olhem, com base nos últimos indicadores, podemos agora até dizer que sim, mas deveremos ter ainda momentos difíceis. Com a ajuda incisiva e oportuna dos bancos centrais, o sistema financeiro internacional está apresentando notável resistência à crise; a inflação preocupa muito, mas não está fora de controle; o comércio exterior avança menos, porém mantém bom nível; e, acima de tudo, os países emergentes, como o Brasil, continuam crescendo.Finalmente, o fantasma da recessão, que muitos apregoavam e todos temiam, agora está rondando apenas a campa do cadáver da Rodada Doha. Por enquanto, só assusta os mortos. *E-mail: at@attglobal.net

Alberto Tamer*, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

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