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Mais um ano perdido para o crescimento da economia

Na média, o avanço do PIB no governo de Dilma Rousseff corre o risco de ficar em 2%

ALEXA SALOMÃO , LUIZ GUILHERME GERBELLI , O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2013 | 02h15

Os bancos e as consultorias estão rebaixando para pouco mais de 2% a expectativa de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2013. O mercado já vem reduzindo a aposta de expansão da economia desde o início do ano - em janeiro, no primeiro Boletim Focus, do Banco Central, a previsão para o PIB era de 3,26%.

O primeiro semestre vai chegando ao fim e a instabilidade no câmbio, que pressiona a inflação, e os desequilíbrios das políticas fiscal e monetária deixaram os economistas mais pessimistas em relação ao crescimento da economia neste ano. "A essa altura do campeonato, é inevitável que o Brasil esteja caminhando para mais um ano de crescimento medíocre, com possibilidade de comprometer o crescimento em 2014", diz o economista Fábio Giambiagi, especialista em finanças públicas. "Há 15 dias, eu trabalhava com um número entre 2,5% e 2,8%, mas, com os últimos acontecimentos, a projeção vai se aproximar de 2%."

De maio para cá, a GO Associados rebaixou a previsão do PIB de 2,7% para 2,2%. O banco Santander diminuiu de 2,8% para 2,2%. A LCA e a Tendências Consultorias estão com as previsões mantidas em 2,7% e 2,5%, respectivamente, mas com viés de baixa.

"O que impõe um viés de baixa para o PIB é o aumento de incerteza em relação ao Brasil", diz Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria. "Uma perda de confiança dos agentes, tanto do lado do consumidor como do empresário, pode indicar uma retenção de planos de consumo e de investimento."

O fraco cenário de crescimento também deve se repetir no ano que vem, o que pode levar o governo Dilma Rousseff a um crescimento médio de 2%. "Não há no horizonte um único sinal de que o governo tem uma estratégia, com efeitos práticos, para virar o jogo e recuperar o rumo do crescimento econômico", diz Monica de Bolle, professora da PUC-Rio e diretora do Iepe/Casa das Garças.

O fator mais preocupante é a persistência da inflação. O último IPCA-15, que mostra o comportamento mensal dos preços entre 15 de maio e 15 de junho, até sinaliza uma pequena redução nos preços no período, mas o índice acumulado em 12 meses está em 6,67%, acima do teto da meta de inflação. Segundo relatório do banco Itaú Unibanco, a inflação dos serviços acelerou, atingindo 0,68% em junho, ante 0,52% em maio, com a taxa em 12 meses subindo de 8,4% para 8,6%. "A inflação está resistente e dependendo de para onde o câmbio for, o teto da meta, de 6,5%, vai virar piso", diz José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados. "Para segurá-la, o juro terá de chegar a dois dígitos." A MB está reduzindo para 2,2% a expectativa de crescimento deste ano e para 1,8% a do ano que vem.

A frustração com o crescimento do PIB também reflete a desaceleração do varejo e a acomodação do mercado de trabalho, dois fatores que foram considerados os motores do crescimento da economia brasileira nos últimos anos. Na sexta-feira, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostraram que a criação de empregos com carteira assinada em maio foi a menor em 21 anos. O saldo entre contratações e demissões foi de 72.028, quando os resultados para o mês costumavam ficar acima de 100 mil.

"O país já está crescendo devagar e o governo tem cada vez menos folga para combater a inflação", diz Armando Castelar, coordenador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). "Claro que a decisão de quando atacar a inflação tem um componente político e o governo até acreditou que poderia esperar 2015 para fazer ajustes, mas se protelar em elevar os juros e adotar a disciplina fiscal vai ser pior." O Ibre prevê um crescimento de 2,3% este ano.

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