Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Mais um diretor do BNDES entrega o cargo na gestão de Rabello

Ricardo Baldin alegou nível elevado de estresse causado pelo que chamou de 'ditadura de controle' imposta ao banco de fomento

Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2017 | 20h12

RIO - Mais um diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entregou o seu cargo na gestão de Paulo Rabello de Castro, que teve início em junho. Ricardo Baldin, diretor da áreas de Controladoria, Gestão de Riscos e Tecnologia da Informação, é o terceiro executivo a deixar o banco desde quando Rabello de Castro assumiu.

A informação foi confirmada pelo BNDES. Em entrevista, Ricardo Baldin disse ao Estadão/Broadcast que entregou o seu cargo em meio a um nível elevado de estresse causado pelo que chamou de "ditadura de controle" imposta ao banco de fomento. O executivo fez referência a órgãos de controle do País, como o Tribunal de Contas da União (TCU), o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal.

"O BNDES tem um quadro (de funcionários) muito competente que pode responder a tudo que o País precisa em termos de desenvolvimento econômico e social. Mas a ditadura do controle está perseguindo (o banco) e fazendo coisas que poderiam ser feitas de forma diferente", afirmou. Para ele, "o Brasil não pode ficar a reboque de órgãos de controle".

Baldin citou a Operação Bullish, deflagrada em maio. "A operação foi um dos aspectos para a minha saída. Tudo que eu vi sendo feito sem comprovação, sem indícios efetivos...É um absurdo as conduções coercitivas", disse. A investigação apura fraudes e irregularidades em aportes concedidos pelo banco de fomento por meio de sua subsidiária, BNDESPar, à JBS por meio do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

O Estadão/Broadcast apurou que Baldin não participava das discussões da TLP. O executivo era o responsável pelas Comissões de Apuração Interna, disse uma fonte. Antes de entrar no banco, ele montou uma empresa de consultoria e assessoria contábil e empresarial, onde ficou até ser nomeado diretor do BNDES. Baldin também teve passagens pelo Itaú Unibanco e na PricewaterhouseCoopers (PwC).

O diretor pediu o desligamento na última segunda-feira, 17, mas acertou que continuará no cargo até ao menos 15 de agosto.  Ele negou que sua saída esteja ligada a divergências com Rabello de Castro. "Acho que ele vai fazer coisas boas no banco, tem capacidade de ajudar o BNDES", disse. O executivo afirmou ainda que entregou o que se comprometeu a fazer, que era aprimorar o controle. Outra razão, informou, foi a distância da família, que mora em São Paulo. O executivo trabalha no Rio, onde está a sede do BNDES.

Há cerca de duas semanas pediram demissão do BNDES o ex-diretor das áreas financeira, de crédito e internacional Claudio Coutinho e o ex-diretor da área de Planejamento e Pesquisa, Vinicius Carrasco. As saídas deles ocorreram logo após críticas feitas por Rabello de Castro à Taxa de Longo Prazo (TLP). Ambos estavam envolvidos nas discussões sobre a criação dela. A TLP poderá passar a ser usada em empréstimos do banco a partir de 2018.

Após o mal estar com a equipe econômica do governo, Rabello de Castro voltou atrás e disse estar totalmente "vinculado ao projeto". Ontem, assinou nota em conjunto com os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, destacando pontos que justificam a criação da taxa.

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