Mais um leilão de energia com maus resultados

Malogrou o leilão de energia realizado sexta-feira: as distribuidoras queriam comprar de 2,5 mil MW a 3 mil MW, mas só 622 MW médios foram negociados, por falta de oferta. O governo admite realizar novos leilões (os chamados leilões de ajuste, com prazos de entrega mais flexíveis). Falta reconhecer que novos certames poderão ser insuficientes, se a situação do sistema elétrico continuar frágil.

O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2014 | 02h03

Há alguns dias, um leilão de transmissão de energia foi vencido majoritariamente por empresas estatais, em razão da fixação de tetos de preços insatisfatórios para a maioria das companhias privadas. Agora, o problema é ainda maior.

O leilão previu que a energia será oferecida às distribuidoras a partir do mês que vem, quando haverá discrepância entre o volume de energia que elas têm assegurada e a contratada pelos consumidores. O que falta terá de ser adquirido no mercado livre, onde os preços são altos. Também em janeiro entra em vigor a regra de que o preço máximo dessa energia será de R$ 388,48 o MWh, mas o valor é cerca do dobro do preço-teto estabelecido para os leilões, entre R$ 180,00 e R$ 201,00 o MWh (o preço médio negociado foi de R$ 197,09 o MWh) e os deságios em relação ao máximo foram mínimos.

A oferta está limitada pelas condições hidrológicas. Só as estatais Furnas (352 MW) e Petrobrás (270 MW) venderam energia a 33 distribuidoras. O governo conta com o vencimento das concessões de geração para aumentar a oferta, mas a perspectiva de normalização fica para o segundo semestre, na melhor das hipóteses. Só então se prevê a oferta de 3,5 mil MW médios - que são a diferença entre a energia disponível e a energia contratada.

Desequilíbrio entre oferta e demanda significa tarifas elevadas, ainda mais do que ocorreu neste ano e está previsto para 2015. "Temos até janeiro para resolver o problema", disse o diretor da agência reguladora (Aneel), Romeu Rufino. Sistemas elétricos são planejados para o longo prazo, não para os próximos dias ou semanas. Não podem depender de estagnação econômica para reduzir o risco de um colapso.

O aperto das distribuidoras é inevitável e terá de ser enfrentado com novos empréstimos ou algo pior (fala-se em federalização de empresas estaduais). Será uma situação esdrúxula, conferindo ao governo federal um poder que ele não mostrou saber usar, ao criar para o setor elétrico um regime impossível de sustentar sem graves ônus para as empresas, os consumidores e o Tesouro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.