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Mais um resultado fraco

Os números do comércio exterior (exportações menos importações) de maio vieram algo melhores do que o esperado, mas não o suficiente para reverter a tendência à fraqueza em todo este ano.

CELSO MING, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2014 | 02h04

Apesar do superávit de US$ 712 milhões, foi o mês de maio mais fraco desde 2002. Os cinco primeiros meses do ano acusaram déficit de quase US$ 5 bilhões, o que reflete as crescentes dificuldades de venda que o produto brasileiro vai encontrando lá fora (veja o gráfico). No período, a exportação de semimanufaturados recuou 9,8% e a de manufaturados, 8%.

Também ao longo do período janeiro a maio, a crise cambial da Argentina, um dos principais compradores de manufaturados brasileiros (8% em 2013), derrubou as exportações brasileiras para lá em nada menos que 18,6%.

O comércio exterior não é prioridade do governo Dilma, como aponta o Documento de Posição aprovado pela Fiesp na última sexta-feira. Mas, na hora das explicações, o ministro Guido Mantega não vacila em citar a crise externa, e, com ela, o enfraquecimento das exportações brasileiras, como um dos fatores mais importantes para o mau desempenho.

Em nenhum momento, nem o governo Lula nem o governo Dilma entenderam que devessem dar importância a negociações comerciais destinadas a garantir preferências ao produto brasileiro no exterior. Foi uma opção de caráter mais ideológico do que técnico, a ponto de transformar o Mercosul em instituto de inspiração bolivariana. Hoje, o rabo preso com a Argentina, por exemplo, é o principal obstáculo a um vigoroso acordo comercial com a União Europeia.

No entanto, o fator que mais contribui para esse comportamento medíocre do comércio exterior do Brasil é a perda de competitividade da indústria nacional, tanto aqui quanto lá fora. Isso tem a ver com os obstáculos de sempre: altos custos de produção, precariedade da infraestrutura e um câmbio nem sempre favorável, porque vem sendo usado como instrumento de ancoragem da inflação.

O documento da Fiesp aponta mais problemas: "A interveniência de mais de dez ministérios e órgãos do governo no processo decisório do comércio exterior, além do número excessivo de leis, decretos, resoluções, normas e instruções regulando as operações externas dificultam e burocratizam as atividades ligadas ao comércio exterior".

Por isso, propõe que a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que reúne sete ministérios para, em princípio, coordenar a área, seja vinculada diretamente à Presidência da República, para aumentar a eficiência comercial.

O modelo é o da Representação dos Estados Unidos para o Comércio (USTR, na sigla em inglês). Mas a Camex não poderia exercer as mesmas funções, uma vez que, nos Estados Unidos, ao contrário do que ocorre no Brasil, a política de comércio exterior é prerrogativa do Congresso e não do Executivo.

Em todo o caso, o principal problema não é de organograma, mas de falta de uma política de comércio exterior do governo brasileiro.

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