Mais um retrato da estagnação da economia

Fraqueza do ritmo de atividade mostrada no IBC-BR dá sinais de que o PIB de 2015 será ligeiramente negativo

José Paulo Kupfer, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2015 | 13h08

O índice de atividade econômica, calculado pelo Banco Central, fechou 2014 com uma retração de 0,12% sobre 2013. A ideia de que a economia brasileira terminou o ano passado em recessão não é tecnicamente errada, mas não ajuda muito a entender o que se passa com o ritmo de evolução dos negócios. É preciso mais do que um recuo de décimos na variação do PIB para definir um estado nítido de recessão.

Mais apropriado seria considerar que o IBC-Br confirmou um estado de estagnação, que vem ganhando corpo, consistentemente, desde há pelo menos dois anos, com freio no ritmo de crescimento a cada período. Não custa lembrar que o índice variou em 2,79% positivos, em 2012, e desacelerou para um avanço de 1,51%, em 2013. 

O retrato mais nítido proporcionado pelo IBC-Br é de uma economia em contração lenta e segura, ano a ano - e as projeções são de um recuo ainda maior em 2015 -, mas que ainda não voltou aos níveis de 2011. Detalhe: com o anúncio do IBC-Br de dezembro, o Banco Central divulgou revisões do índice nos meses anteriores e todos com números mais baixos.

Outra consideração necessária é a de que o IBC-Br não é exatamente uma "prévia" do PIB, mas uma aproximação relativa da dinâmica em que encontra a economia. Isso fica visível quando se compara a média móvel trimestral, no intervalo dos trimestres civis, dos resultados do indicador do Banco Central com as variações trimestrais do PIB, efetivamente verificadas. Se há uma boa aderência entre as duas curvas, no cálculo interanual, o mesmo não se pode dizer quando a base de cálculo são as variações trimestrais.

Depois da divulgação do IBC-Br de dezembro, os analistas de conjuntura ajustaram suas projeções para o PIB efetivo de 2014, com maioria de apostas em uma retração de décimos, na comparação com o ano anterior. Essas projeções reforçam a ideia de uma economia estagnada, com tendência a recuar mais, no ano que se inicia, até porque o carregamento estatístico de 2014 para 2015, pela fraqueza do ritmo de atividade, dá sinais de que será ligeiramente negativo.

Isso significa que 2015 já começa com a economia compressões de baixa vindas do ano anterior.

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