Mais uma agência de classificação de risco rebaixa nota da Oi

Com revisão da Standard & Poor's, ações preferenciais da tele brasileira caíram 5,45% na Bolsa ontem

MARIANA SALLOWICZ / RIO , O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2014 | 02h03

Em meio ao imbróglio causado por um investimento da Portugal Telecom (PT), a Oi voltou a ter a sua nota de crédito rebaixada por uma agência de classificação de risco ontem. A tele brasileira, que está em processo de fusão com a PT, teve o "rating" de longo prazo na escala global revisto pela Standard & Poor's para grau especulativo (BB+). Sua nota anterior a incluía no seleto grupo de companhias com grau de investimento (BBB-), indicativo de maior segurança de pagamento da dívida. A nota em moeda local também foi revista para baixo.

Na quarta-feira, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito de longo prazo em moeda estrangeira e em moeda local da Oi e da Portugal Telecom para BB+, de BBB-. Anteontem, a Moody's, colocou a nota da operadora brasileira sob revisão para possível rebaixamento.

As agências analisam e classificam empresas e governos em função do risco que apresentam de não pagar as suas dívidas. As notas servem de referência para investidores. Com a revisão, os papéis preferenciais (sem direito a voto) da Oi lideraram as baixas do Ibovespa ontem, com queda de 5,45%. As ações ordinárias (com direito a voto) recuaram 4,73%.

A deterioração da nota da companhia ocorre depois que a PT ficou sem receber 897 milhões da Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo (GES), que, por sua vez, tem 10,05% da operadora portuguesa. O calote - que será confirmado em sete dias úteis após o vencimento - fez com que as empresas anunciassem um acordo que prevê redução na participação dos sócios da PT na CorpCo, empresa que surge da fusão. A fatia caiu de 37,3% para 25,6%, com a possibilidade de voltar ao patamar inicial em até seis anos.

"O investimento não recebido pressiona as métricas de crédito da empresa ainda mais do que já estavam. Pela nossa expectativa anterior, esse pagamento seria caixa da empresa, utilizado para pagar dívida. A empresa dependia de uma redução de dívida significativa para se manter no BBB-", disse Luisa Vilhena, analista de rating da S&P e responsável pelo relatório.

A agência também diminuiu a avaliação de gestão e governança da companhia, para "razoável", com base na visão de que o investimento da PT na Rioforte não foi comunicado claramente, "o que indica uma deficiência nos controles internos e na governança corporativa".

Apesar disso, a perspectiva é positiva após a conclusão da fusão, que deve ocorrer em 2015. "Inicialmente, vemos um endividamento mais alto, com melhora gradual nos próximos anos. A empresa está implementando medidas de redução de custo para melhorar a geração de caixa", afirmou a analista.

Portugal. O conglomerado português Espírito Santo International (ESI), dono da Rioforte, pediu ontem proteção contra credores em um tribunal de Luxemburgo, onde tem sede, sob a alegação de ser incapaz de cumprir com suas obrigações de dívida.

O pedido ocorre após promotores em Portugal terem informado que estão investigando questões relacionadas ao grupo e o Banco Central do país ter se movimentado para dissipar temores relativos ao Banco Espírito Santo, segunda maior instituição financeira portuguesa por ativos.

O ESI afirmou que sua reestruturação "será em prol dos melhores interesses de seus credores", já que permitirá uma "disposição transparente e ordenada" dos ativos. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.