WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Mais uma agência de classificação rebaixa a nota da Petrobrás

Fitch diz que decisão reflete as incertezas com a corrupção e a capacidade da estatal de ajustar os seus ativos - o que pode levar os credores a antecipar o pagamento de dívidas

Danielle Chaves,Francine De Lorenzo, O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2015 | 16h03

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou os ratings de probabilidade de inadimplência do emissor (IDR, na sigla em inglês) de longo prazo em moedas estrangeira e local da Petrobrás de BBB para BBB- e colocou todos os ratings em escala nacional e internacional em observação para possível rebaixamento. Apesar do anúncio, as ações da estatal disparam na Bovespa, na esteira dos rumores sobre a troca da presidência da companhia, hoje encabeçada por Graça Foster, e do conselho de administração. Na semana passada, a Moody's também havia rebaixado a nota da estatal

Em nota, a agência afirma que a decisão reflete o aumento da incerteza quanto à capacidade da Petrobrás de estimar e registrar os ajustes em seus ativos, o que poderia levar uma parte significativa de credores a antecipar o pagamento de dívidas.

A Fitch destaca que o balanço do terceiro trimestre não apresenta ajustes em ativos. "A falta de clareza prolonga a incerteza sobre a capacidade da empresa para fazer os ajustes necessários para cumprir com as cláusulas que exigem a divulgação de resultados financeiros auditados num prazo de 120 dias ao fim do período, além de um período de carência de 60 dias", diz a agência, acrescentando que sem as contas auditadas, a empresa não tem acesso aos mercados de dívida.

Segundo a Fitch, a ação sobre os ratings da Petrobrás também reflete o potencial impacto que o atual escândalo de corrupção pode ter sobre a capacidade de a empresa alcançar as expectativas de produção. "O escândalo de corrupção afeta a eficiência da companhia na negociação com fornecedores de equipamentos", comentou a agência.

A decisão de colocar os ratings em observação com implicações negativas, por sua vez, destaca o elevado risco de a dívida da companhia poder se acelerar se ela não for capaz de publicar um balanço financeiro anual auditado dentro do prazo determinado. "Se a Petrobrás publicar o balanço financeiro auditado no tempo certo e não quebrar os covenants, a observação negativa será removida e uma perspectiva negativa provavelmente será atribuída" em razão das contínuas incertezas e dos litígios gerados pela investigação de corrupção, afirmou a Fitch.

A Fitch também comentou que espera que a empresa consiga obter financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), caso necessite de uma injeção de liquidez em face de eventual déficit de fluxo de caixa de curto prazo. "A posição de caixa da Petrobras é suficiente para atender suas necessidades de recursos de curto prazo", observou a agência.

Uma ação negativa sobre o rating soberano do Brasil, em que as classificações do País atinjam a categoria de rating da Petrobrás, não se refletirá automaticamente em rebaixamento da empresa, explicou a Fitch. A agência acrescentou ainda que uma ação de rating positiva na Petrobras é altamente improvável no curto a médio prazo, "mas um suporte explícito direto do governo poderia ajudar a estabilizar as classificações".

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