Mais uma agência rebaixa classificação do Brasil

A agência classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a dívida soberana em moeda estrangeira do Brasil de BB- para B+. A classificação da dívida do Brasil em moeda local foi mantida inalterada em B+. A perspectiva da classificação permanece negativa."Desde fevereiro de 2002, quando os ratings do Brasil e a perspectiva negativa foram afirmados, as condições dos mercados financeiros diante da segunda maior economia da América Latina se deterioraram", diz a nota da agência. "Tendo em vista a vulnerabilidade da carga da dívida pública e do balanço de pagamentos para o sentimento do investidor, e a pequena probabilidade de que esse sentimento melhore significativamente nos próximos meses, os fundamentos de crédito soberano do Brasil deram uma virada para pior".Para a Fitch, "o encurtamento dos prazos da dívida interna, uma forte elevação da ponta longa da curva de retorno doméstica a pressão sobre as reservas em moeda estrangeira e, pelo menos temporariamente, o fechamento do acesso do país aos mercados internacionais de capital, tudo isso sugere um risco maior de deterioração da dinâmica da dívida pública e de pressões sobre o balanço de pagamentos".Segundo a nota, "isso acontece apesar de uma reação robusta da política, inclusive uma elevação do superávit primário do setor público para 3,75% do PIB e de medidas para reduzir a liquidez no mercado de câmbio. Além disso, as autoridades brasileiras obtiveram apoio adicional das instituições financeiras multilaterais, inclusive do FMI".O relatório da Fitch diz ainda que "dos títulos da dívida interna que vencem nos próximos cinco anos, que representavam 45,9% do PIB em junho de 2002, a proporção dos que vencem ao longo do próximo ano cresceu de 31,2% para 39,4%, como resultado de operações recentes para atender à demanda por papéis de prazos mais curtos. A diferença sobre a taxa Selic e a taxa de um ano ampliou-se para mais de 1.000 pontos-base, de zero no começo do ano. O risco-país, isto é, a diferença entre os bônus externos soberanos do Brasil e os títulos comparáveis do Tesouro dos EUA, ampliou-se para mais de 1.500 pontos-base no fim de junho, de 750 pontos-base no começo do ano".A Fitch afirma ainda que "a incapacidade de acessar os mercados internacionais de capital, em conjunção com necessidades pesadas de financiamento externo, que poderiam totalizar US$ 48 bilhões neste ano (incluindo-se o déficit em conta corrente e as amortizações da dívida externa no curto e no médio prazos), colocou uma pressão adicional sobre as reservas brasileiras em moeda estrangeiras, que já estavam baixas. Da mesma maneira, a dívida externa de curto prazo, que representa cerca de US$ 30 bilhões, está sob risco de não ser rolada no vencimento".A agência ressalta também que "por outro lado, as pressões sobre o balanço de pagamentos proveniente de demandas pesadas de financiamento no setor privado poderão ser parcialmente mitigadas pelo fato de que grande parte da dívida de curto prazo é relacionada a comércio e as empresas privadas têm tido acesso a crédito por meio de veículos tais como transações com recebíveis de exportações".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.