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Mais uma cidade de Goiás pode limitar o plantio de cana

Mineiros, como Rio Verde, começa a discutir formas de barrar duas usinas

Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

26 de setembro de 2007 | 00h00

O avanço da cana-de-açúcar em Goiás provocou nova reação de produtores de grãos no Estado. Os produtores de Mineiros, cidade do extremo oeste goiano, distante 420 quilômetros da capital, lançaram um movimento local para limitar a área que será coberta por canaviais.O argumento dos produtores é o mesmo que levou o município de Rio Verde, no sudoeste goiano, a impôr o limite de 50 mil hectares para formação de canaviais. Eles acham que o avanço da cana na região vai comprometer a produção de grãos e a agroindústria formada para o processamento de soja, milho, sorgo e algodão.O município de Mineiros receberá duas usinas de etanol com capacidade para processar 3 milhões de toneladas de cana cada. A primeira usina entrará em operação em 2009 e a segunda, em 2010. Os projetos são bancados por um grupo internacional de investidores que formaram no Brasil a Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco). A empresa é comandada no País pelo ex-presidente da Petrobrás Henri Philippe Reichstul.Segundo Reinaldo Schreiner, membro da Cooperativa dos Produtores de Algodão de Mineiros e delegado da Associação dos Produtores de Grãos do município, na quinta-feira, os produtores irão apresentar uma proposta que reduz a ocupação da cana no município. A proposta ainda não foi aberta, mas a idéia é fazer com que a prefeitura imponha limites à formação de canaviais, como em Rio Verde.As duas usinas vão precisar de 70 mil e 80 mil hectares de cana. A área ocupada por grãos na cidade chega a 135 mil hectares. Essa área abastece uma estrutura de engorda de aves (que são abatidas num frigorífico instalado na cidade), além de duas fábricas de processamento de algodão. A cidade ainda tem um frigorífico de bovino com capacidade para abater 1,2 mil cabeças por dia. ''''O que queremos é discutir um arranjo produtivo local que dê garantias a agroindústria de grãos e que imponha um limite para as usinas'''', diz Schreiner.Eduardo Ieda, vice-presidente industrial da Brenco, disse ontem que a chegada da companhia significará ''''mais uma oportunidade para os produtores'''' locais e que o desconforto decorre do fato de a companhia cobrir os valores negociados entre os produtores de grãos e as agroindústrias. ''''É normal haver este descontentamento, mas isso faz parte de uma negociação de mercado.'''' Segundo ele, a empresa já possui uma área de 27,3 mil hectares, a maior parte comprada e uma parte menor arrendada. As áreas preferenciais são as que têm pequena inclinação. Isso vai assegurar o uso do corte 100% mecanizado.

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