coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mais uma empresa brasileira desembarca na Argentina

As empresas brasileiras continuam interessadas em instalar-se na Argentina, país que tornou-se mais atraente para os investimentos latino-americanos desde que em 2003 saiu da pior crise de sua história e cujo PIB começou a crescer 9% em média por ano. A última a analisar um eventual desembarque é a empresa brasileira Dilly Clássico, de roupas e calçados esportivos. Segundo informações do governo de Buenos Aires, a idéia da empresa brasileira - cuja sede está na cidade gaúcha de Ivoti - é a de realizar um investimento inicial de US$ 2 milhões para produzir neste país produtos das marcas Nike e Umbro.A empresa está mostrando interesse em localizar seus investimentos na capital Buenos Aires, que concentra 40% da população e um terço do PIB argentino. A Secretária de Produção bonaerense, Debora Giorgi, que no final dos anos 90 foi uma das principais negociadoras argentinas para o Mercosul, reuniu-se com representantes locais da empresa brasileira.O governo ofereceu assistência financeira, com uma linha de crédito de prazo de cinco anos, mais bolsas de trabalho para os estagiários caso a Dilly Clássico se instale em um dos pólos de produção têxtil que estão espalhados pela província.Recentemente instalou-se uma subsidiária da brasileira Paquetá na cidade bonaerense de Chivilcoy. A empresa está instalando uma linha de produção com financiamento do governo da província. Além disso, a têxtil Santana anunciou um investimento de US$ 33 milhões para a instalação de uma fábrica de fios em Puerto Tirol, na província do Chaco. Quase um terço do investimento será financiado pelo governo dessa província. Em 2004, a Coteminas adquiriu uma das maiores têxteis da Argentina, a Grafa, na província de Santiago del Estero.Desde a crise de 2001-2002, diversas empresas brasileiras desembarcaram neste país, comprando parte substancial dos últimos redutos do capital argentino. A AmBev adquiriu a Quinsa SA, holding que incluiu a cervejeira Quilmes; a Petrobrás comprou a empresa energética Pérez Companc, com presença na extração de gás, petróleo e energia elétrica; a Camargo Correa ficou com a companhia de cimento Loma Negra e a goiana Friboi comprou o maior frigorífico do país, o Swift.Frios argentinosEnquanto isso, na contra-mão das empresas brasileiras que procuram o mercado argentino, uma empresa deste país - o frigorífico Paladini (que controla 20% do mercado local) - está de olho no mercado brasileiro dos consumidores de frios. Para isso, fechou um acordo com a rede Wal-Mart para distribuir seus produtos nos estados do sul do Brasil.O plano é vender no Brasil presunto cozido com cobertura de caramelo, lombo à moda "serrana", copa, mortadela tradicional e mortadela com pistache.Esta será a primeira exportação de frios argentinos desde que a Argentina foi declarada, há um ano, país livre da Peste Suína Clássica, doença que causou o fechamento de vários mercados internacionais para a carne suína e derivados provenientes da Argentina.

Agencia Estado,

15 de agosto de 2006 | 17h49

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.