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Mais uma tentativa

Os chefes de Estado do G-20, grupo dos 20 mais importantes países do mundo, comprometeram-se neste fim de semana em Brisbane, na Austrália, a coordenar um esforço conjunto para retirar a economia global da pasmaceira.

CELSO MING, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2014 | 02h03

O objetivo é acionar um "Plano de Ação" que acrescente 2% ao PIB mundial até 2020, apenas em obras de infraestrutura. Não está claro o que, na prática, será esse projeto, de onde virão os investimentos e como, na prática, será coordenado.

Mas a iniciativa reflete duas coisas. Primeira, o inconformismo dos chefes de Estado com a excessiva lentidão da recuperação econômica do mundo; e, segunda, o resultado insatisfatório da ação dos grandes bancos centrais, que despejaram trilhões de dólares para tentar reativar o crédito e a confiança.

Quando da crise dos anos 30, a resposta veio da intervenção dos Estados que acabou por resgatar a economia mundial da depressão. Sucesso ainda mais rápido foi obtido a partir de 1947, quando o setor produtivo da Europa destruído pela guerra foi reanimado pelo Plano Marshall, graças a recursos públicos dos Estados Unidos. O problema hoje é o de que, afogados em dívidas gigantescas, os Tesouros dos Estados nacionais estão esgotados. Não é daí que aparecerão os recursos necessários para os investimentos que relançariam a economia mundial.

Com base na percepção de que não se pode esperar grande coisa de impulsos fiscais (aumento das despesas públicas), os grandes bancos centrais assumiram a tarefa de puxar pelo crescimento econômico. De 2008 até agora, o Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) despejou quase US$ 4,5 trilhões em emissões, processo que agora está sendo estancado. O Banco Central Europeu se propõe a injetar 1 trilhão de euros por meio da compra de títulos públicos e privados. E o Banco do Japão (banco central) desde 2013 não faz outra coisa senão emitir ienes para produzir o mesmo efeito.

Por trás desses esforços está o pressuposto de que moedas mais fracas barateiam o produto nacional (ou do bloco) em outras moedas. Com isso, acionam-se as exportações e, portanto, a produção. Em boa medida, esse jogo perdeu eficácia porque as moedas mais fortes se desvalorizam umas em relação às outras e tendem a se anular. Essa é também uma das explicações pelas quais o comércio exterior global continua estancado.

Por aí se vê que o máximo que as autoridades mais poderosas do mundo podem fazer agora é coordenar melhor os programas de investimento para que possam produzir a melhor resposta. Parece pouco. O problema de fundo é o de que as economias estão asfixiadas pelas enormes despesas com programas de defesa (caso dos Estados Unidos) e com os benefícios proporcionados pelo Estado do bem-estar social (caso da Europa). Por todos os lados, aumenta a necessidade de reformas estruturais que ajustem os orçamentos. Como essas reformas se destinam a impor perdas ao contribuinte e ao cidadão, as autoridades relutam em levá-las adiante. Por aí se vê que, apesar da movimentação dos chefes de Estado e das fotos que marcam cada reunião de cúpula, o que falta mesmo é acordo político para superar o impasse.

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