Malan admite possibilidade de acordo de transição com FMI

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, não descartou hoje, em rápida entrevista à Agência Estado e à TV britânica BBC, à saída do hotel, em Madri, a possibilidade de o Brasil vir a negociar um acordo de transição com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Acho que não se deve eliminar nenhuma possibilidade. Os sinais estão vindo dos próprios partidos de oposição, que estão dando sinal talvez de uma certa maior maturidade, que não estão mais naquela fase, que infelizmente já vivemos no passado, de satanização do FMI e busca de grandes inimigos externos", afirmou o ministro. "Acho que está havendo mais pragmatismo, mais realismo e mais maturidade nestas questões e isto é bom para o País", afirmou. Foi a primeira vez que uma autoridade oficial admitiu, publicamente, a possibilidade de o Brasil buscar um acordo com o FMI que já valha para o próximo governo. Ao ser questionado sobre este acordo de transição, Malan disse que o FMI, numa nota oficial sobre o Brasil há duas semanas, reafirmou sua confiança nos fundamentos da economia e na condução da política econômica pela atual administração. Segundo Malan, nessa nota o FMI deixou claro que estava disposto a expressar este apoio formalmente, através de recursos, não só para a atual administração mas também a qualquer futura administração que solicitasse, com base em um programa econômico sólido. "Esta foi a manifestação do Fundo, um desejo de continuar apoiando a economia brasileira", afirmou. Perguntado sobre se o Brasil já começou o diálogo com o Fundo para o acordo de transição, Malan respondeu: "Essa possibilidade sempre existe. A nota do Fundo deixa claro que eles estão abertos. É, portanto, sempre uma possibilidade". Sobre a possibilidade de o acordo seguir os moldes do acortdo do FMI com a Coréia do Sul, Malan disse que no caso do País asiático existia uma situação de crise gravíssima, que não é o caso da economia brasileira. O ministro está participando em Madri de um encontro financeiro internacional promovido pela revista The Economist e pelo banco espanhol Caja Madri. O encontro de Malan com o ministro da Economia da Espanha, Rodrigo Rato, que estava previsto para hoje, foi adiado. Segundo Malan, o encontro poderá ocorrer amanhã. Na sexta-feira passada, o jornal Valor Econômico publicou reportagem dizendo que o FMI aceitou bem a sondagem feita pelo governo brasileiro sobre as chances de se obter junto ao Fundo um acordo de transição que dê ?tranqüilidade à transição de poder?. No mesmo dia, em Buenos Aires, o presidente Fernando Henrique Cardoso negou hoje que o governo tivesse sondado o Fundo sobre a possibilidade de um acordo de transição. "Não é do meu conhecimento qualquer sondagem ao FMI. Nós temos um acordo que vai até setembro, mas que se estende até o final do mandato", disse.

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