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Malan anuncia que Brasil vai sacar os US$ 10 bi do FMI

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, anunciou hoje que o governo brasileiro vai exercer os dois direitos de saques especiais - um que ele já tinha junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas ainda não havia exercido, de 4,034 bilhões em direitos especiais de saque, e o outro que passa a ser de 3,675 bilhões em direitos especiais de saque, uma unidade de valor usada pelo Fundo. A soma desses direitos especiais de saque corresponde a US$ 10 bilhões. O ministro informou que o FMI concordou ainda em reduzir o piso das reservas internacionais de US$ 20 bilhões para US$ 15 bilhões. Malan informou que hoje as nossas reservas estão em US$ 28,6 bilhões. Segundo ele, essas medidas abrem possibilidade para que o Banco Central possa atuar na área externa, utilizando os direitos de saque e o espaço com a redução das reservas. Com isso, o presidente do BC, Armínio Fraga, anunciou um programa de recompra dos títulos da dívida externa, que vencem em 2003 e 2004. O anúncio foi feito na entrevista coletiva da equipe econômica que havia sido convocada ontem para as 12h30 de hoje. Fundamentos fortesO ministro disse que "o govenro vai virar o jogo dessa onda de ansiedade que assaltou o mercado financeiro". O governo, disse, vai mostrar que os fundamentos da economia brasileira são mais fortes e que essas turbulências serão superadas com firmeza, serenidade e ação governamental. Malan lembrou que no passado o País já enfrentou dificuldades que foram superadas. Meta de superávit aumentaMalan anunciou também o aumento da meta de superávit primário das contas do setor público em 2002, de 3,5% para 3,75% do PIB. Para 2003, ele disse que é recomendável e factível que a a Lei de Diretrizes Orçamentárias em tramitação no Congresso Nacional também estabeleça um superávit primário nas contas do setor público consolidado de 3,75% do PIB. Eleições, democraciaNuma óbvia referência a declarações feitas ontem pelo candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda disse que o governo dispensa qualquer recado de quem quer que seja no sentido de que deva continuar cumprindo com suas responsabilidades até o final do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Como eu já disse há cerca de um mês atrás e é uma visão minha, do presidente Fernando Henrique e do governo, este governo não foge e não fugirá de suas responsabilidades. Não deixaremos de governar até o final do mandato", disse Malan. Ele também afirmou ter confiança no País e no seu futuro e considera um grande ganho o fato de o País estar convivendo neste momento com um processo eleitoral. "É um fato positivo termos uma democracia pluralista e sólida", afirmou o ministro. Ele também expressou confiança de que o eleito pelo povo para substituir o atual governo terá compromisso com o cumprimento da lei de responsabilidade fiscal, com os contratos firmados entre a União, os Estados e os municípios e com o regime de meta de inflação e o câmbio flutuante. Malan também acha que o eleito terá compromisso de evitar lidar de forma artificial com os contratos em vigência.

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