Malan critica mudança na política de ajuda do FMI e EUA

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, em discurso hoje para cerca de 300 investidores na capital espanhola, criticou a nova abordagem mais restritiva das políticas do FMI e do governo americano na ajuda a países em crise. "O pêndulo não deveria ter se movido tão longe na outra direção, que, eu acredito, tem sido a posição inicial da nova administração americana", disse Malan referindo-se à revisão da política do FMI e dos EUA de ajuda a países em dificuldades. Malan disse que os resultados do FMI nos últimos anos foram "mistos" e admitiu que "a era de pacotes de apoio internacional acabou e nós temos de achar novos caminhos de ajuda oficial aos países em dificuldade". O ministro reconheceu que há problemas de risco moral envolvidos, mas ponderou que não há substituto, "no final do jogo, para a consideração de situações específicas". "Eu acredito que esta discussão sobre um grandioso desenho para se criar mecanismos de reestrututação de dívida não é a melhor maneira para agir e pode levar a uma crescente redução dos fluxos de capitais para os países endividados, especificamente os mercados emergentes".Ajuda internacional à ArgentinaPedro Malan também voltou a cobrar uma ajuda internacional à Argentina. "Eu acho que, se não mais do que 10% do tempo, energia, talento e número de reuniões que foram dedicados para se tentar criar este esquema de mecanismo de reestruturação tivesse sido direcionado para resolver um caso específico, como o da Argentina, todos nós estaríamos num a situação melhor já há um tempo". O ministro disse que o FMI teria obtido um bom aprendizado ao tentar resolver o problema da Argentina utilizando-se de seus programas de ajuda mais tradicionais. "Eu continuo tendo esperança de que 10% da concentração de corações e mentes que tem sido dada a esquemas grandiosos de reestruturação de dívida seja alocada para se tentar resolver em termos operacionais completos os problema do nosso vizinho. Quanto antes melhor". Segundo Malan, os brasileiros têm um profundo interesse na solução da situação argentina. "O Mundo também deveria ter um interesse nisso", afirmou. Superávit primário de 3,75% será mantido até 2005O ministro da Fazenda disse hoje que o governo brasileiro aumentou recentemente a meta do superávit primário para este ano para 3,75% do PIB e vai manter esta elevação para o próximo ano e estendê-la até 2005. Afirmou também que as intervenções no mercado cambial são uma exceção, não uma regra, e que o governo não tem uma banda ou uma meta para a taxa de câmbio. Malan afirmou que será entendida no Brasil a importância de se ter um Banco Central que tenha liberdade operacional para procurar a meta inflacionária, estabelecida por um governo eleito. "O Banco Central deveria ter a liberdade operacional e instrumental para atingir o objetivo inflacionário estabelecido pelo governo. Há uma discussão em curso no Brasil e sobre isso, em breve, entraremos nesta área", afirmou.

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