Malan decepciona mercado e Bovespa despenca

Quando se anunciou que o ministro da Fazenda iria fazer um pronunciamento hoje à tarde paralelamente a uma entrevista do presidente Fernando Henrique Cardoso, o mercado imaginou que viriam medidas concretas de intervenção ou até o anúncio de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para sustentar a crise nos próximos meses. Mas vieram apenas declarações de apoio ao candidato governista à Presidência, José Serra (PSDB/PMDB), e comentários condenando a reação "exagerada" dos investidores ao cenário atual.A declaração esperada não veio, o que encerrou a pausa nos negócios e acirrou o pessimismo. O dólar comercial foi vendido a R$ 3,0150 nos últimos negócios do dia, em alta de 0,67% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 2,9900 e R$ 3,0300. Com o resultado dessa sexta-feira, o dólar acumula uma alta de 30,18% no ano e 6,91% em julho.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 23,300% ao ano, frente a 22,300% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 27,550% ao ano, frente a 27,300% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 4,64% em 9217 pontos, o menor patamar desde 3 de março de 1.999, quando adotou-se o câmbio livre. O volume de negócios foi de R$ 548 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 32,11% em 2002 e 17,25% em julho. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 5 apresentaram altas. As quedas foram grandes em todos os setores, mas o principal destaque ficou para algumas elétricas. Eletropaulo PN (preferenciais, sem direito a voto) caiu 11,47% e Transmissão Paulista PN, 10,56%. Mas as razões para esse comportamento dos mercados continuam as mesmas. Por um lado, a crise de confiança no mercado acionário norte-americano, que está derrubando as bolsas no mundo inteiro, afasta os investidores de aplicações em risco, como nos mercados emergentes. Mais especificamente no Brasil, a apreensão dos investidores com o quadro sucessório piora ainda mais o cenário. Nos últimos dias a situação piorou ainda mais, com as seguidas quedas de Serra, o preferido dos mercados, e a consolidação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, na disputa pela Presidência da República. Ambos são vistos com desconfiança pelos investidores.Mercados internacionais Em Nova York, o clima foi de alívio e recuperação. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,95% (a 8264,4 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - subiu 1,78% (a 1262,12 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9861; uma queda de 1,94%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em baixa de 1,60% (355,85 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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