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Malan destaca cenário externo difícil e elogia governo Lula

O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan fez um diagnóstico de que a economia internacional vive hoje um período "extremamente difícil" que, por sua vez, dificulta a retomada do crescimento econômico do Brasil. Ele avaliou que, além de os Estados Unidos estarem com a sua economia estagnada e o Japão viver um período que já dura dez anos sem crescimento, a Alemanha ? terceira maior economia mundial ? começa a dar sinais de recessão. O ex-ministro participou hoje do evento "Estratégia, uma questão de visão", "promovido pelo SAS Institute, no Hotel Meliá, em São Paulo.O ex-ministro lembrou ser fundamental que o Brasil mantenha uma postura firme nos fóruns mundiais de discussão, especialmente na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Temos que nos manter sem bravatas, sem socos na mesa e sem discursos emotivos, mas apresentando argumentos", sustentou. Para ele, nessas condições o País pode ter como resultado uma elevação de suas exportações aos Estados Unidos, maior importador mundial com compras anuais de US$ 1,5 trilhão.Malan elogiou as manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o Brasil não pode adotar a "síndrome do coitadinho" para justificar suas dificuldades econômicas. "Nesse contexto, temos que avaliar o que podemos fazer por nós mesmos. Não podemos ter a visão de que somos vítimas dos outros países, de maquinação de alguém", apontou.Malan também elogiou a condução da política macroeconômica do governo, questionou a atuação microeconômica e ironizou a posição política do Partido dos Trabalhadores. "O governo conseguiu acabar com o pânico que assaltou os mercados a partir de abril do ano passado", afirmou em relação às questões macroeconômicas, elogiando o resultado positivo de controle da inflação, da queda do risco País ? taxa que mede a confiança dos investidores na capacidade de pagamento da dívida do País ? e da valorização do real frente ao dólar. O ex-ministro também ressaltou de forma positiva o comprometimento do governo com a "agenda legislativa", com o envio das reformas tributária e previdenciária, além da expectativa do encaminhamento futuro da reforma trabalhista.Na área microeconômica, o ex-ministro indicou ter dúvidas sobre a administração governamental, principalmente com relação às agências regulatórias, em que, para ele, o Brasil ainda não tem grande experiência com esse tipo de regulação. "A área social é o nosso grande desafio. Existe o reconhecimento (pelo governo) de que não há mágica e piruetas, mas que as coisas precisam de tempo para serem implementadas", afirmou, em primeira referência política ao PT.Malan ironiza atuação do PTSegundo Malan, ainda não se sabe qual será a mudança que o governo promoverá no País, mas alfinetou: "O País transformou o principal partido de oposição brasileiro." Na avaliação do ex-ministro, essa transformação petista decorre do fato de questões como responsabilidade fiscal, restrição orçamentária e controle da inflação "que não estão sujeitas a debates político-ideológico", e por isso são exigências para uma boa administração pública, que acabaram por se repetir em vários países do mundo (Chile, França, Inglaterra e Alemanha) em que partidos trabalhistas e socialistas chegaram ao poder.Discussão sobre juros: "quando, em que intensidade e em que rumo"O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia sua reunião mensal hoje. A decisão sobre a Selic ? taxa de juros referencial da economia ? será conhecida amanhã. Atualmente, a Selic está em 26,5% ao ano e o ex-ministro Malan avaliou que não se deve priorizar a análise de que os juros vão cair nesta ocasião. Segundo ele, o importante é discutir "quando, em que intensidade e em que rumo". "A direção do movimento parece clara, o que não significa que estou querendo dizer qualquer coisa sobre a decisão que o BC tomará", afirmou, ao participar do evento "Estratégia, uma questão de visão", promovido pelo SAS Institute, no Hotel Meliá, em São Paulo. "Entendo que um ex-ministro deve ser recatado, discreto e deve evitar adicionar sua voz à tonitruante polifonia já existente", complementou.

Agencia Estado,

20 de maio de 2003 | 13h26

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