Malan diz que deixa cargo, mesmo se PSDB vencer

O Ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse, em entrevista ao jornal espanhol El País, que não vai permanecer no cargo caso o candidato do governo, José Serra (PSDB), vença as eleições presidenciais. "Há 36 anos sou servidor público no Brasil e, nos últimos dez anos, em cargos de muita tensão", disse Malan. "Trabalho 13 ou 14 horas por dia. O Brasil é um país muito complexo, há um enorme desgaste nesse cargo; eu já cumpri." Ao comentar a recente volatilidade na economia brasileira, Malan disse que a histeria dos mercados é "injustificável. "A menos que ocorra uma catástrofe, o Brasil superará a atual crise sem dificuldades", afirmou, acrescentando que a economia brasileira vai crescer mais de 2% neste ano.O ministro disse que o discurso do Partido dos Trabalhadores (PT) "foi suavizado" e está num processo de mudança. "Mas as novas mensagens, entretanto, ainda não conseguiram ser críveis para os investidores", declarou. Segundo Malan, o processo de revisão no PT é recente e muitas pessoas duvidam se há convicção na mudança.Malan disse que os grupos espanhóis com investimentos no Brasil, como a Telefonica e Iberdrola, acompanham com preocupação a situação no País, o que considera "natural". "Elas sabem que a crise não é só no Brasil e nenhuma dessas empresas investiu no País para lá permanecer por pouco tempo", afirmou."Ao contrário, foram para ficar e sabem que haverá melhores épocas no Brasil, na Argentina e no resto da região". Malan concedeu a entrevista ao El País durante a sua visita a Madri, capital da Espanha, no início da semana passada.

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