Malan diz que não chamou mercado de "ignorante"

Após um encontro promovido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) em homenagem ao recém-falecido economista Rudiger Dornbusch, em paralelo à reunião anual do FMI, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, parou a entrevista que concedia aos jornalistas para esclarecer sua declaração feita ontem quando criticou a ignorância do mercado. O ministro disse que foi mal-entendido pela imprensa porque fez seu discurso em inglês e a tradução feita pelos jornalistas foi incorreta. Durante uma palestra com analistas e investidores ontem, Malan havia feito a seguinte declaração: "Tem algo que aprendi há muitos anos: que os mercados são dirigidos por uma combinação de ganância, às vezes uma ganância infecciosa, como nos disse Alan Greenspan; pelo medo, às vezes infeccioso, como estamos observando agora; e ignorância". Hoje, Malan disse que não chamou o mercado de ignorante. "Queria explicar o que falei em tom de brincadeira ontem num seminário, e que aparentemente não foi bem entendido", disse Malan. "Eu ouvi ao longo das últimas décadas, portanto a frase não é minha, e sim de vários participantes do mercado, que brincam que os mercados são movidos por uma combinação de ganância, medo. E, se eu tivesse falado em português, teria escolhido a palavra desconhecimento", justificou. O termo em inglês usado pelo ministro foi "ignorance"."Além disso, não estava me referindo em nada em relação ao Brasil quando fiz essa brincadeira. E sim me referia à economia mundial", acrescentou. Segundo o ministro, quando falou de ganância infecciosa, ele usou uma frase do Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve (Fed). "Outras vezes o mercado é dirigido por um medo, muitas vezes infeccioso, como estamos vendo agora no mundo. E tem também um substrato de desconhecimento", declarou Malan. Segundo ele, existem setores altamente sofisticados nos mercados que entendem o que se está passando. "Mas existem alguns (setores), que não há nenhuma razão para exigir que eles tenham conhecimento detalhado de qualquer país do mundo e de qualquer região, que se deixam levar por essa psicologia de momento, de instinto de comportamento de rebanho, que se deixam levar pelos seus medos por causa do desconhecimento da real situação", disse. "Nunca chamei ninguém de ignorante, não é meu estilo e não o faria no exterior e falando em inglês", ressaltou. ProtecionismoDurante a reunião dos ministros de Finanças do Hemisfério Ocidental, promovida pelo Tesouro dos Estados Unidos, Malan fez, juntamente com ministros de outros países, protestos contra o aumento de protecionismo por parte de países desenvolvidos. "Citei inclusive casos concretos de protecionismo contra produtos brasileiros, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa", afirmou. Os ministros presentes à reunião também concordaram numa estratégia única para o combate de lavagem de dinheiro e finaciamento ao terrorismo, incluindo um plano de ação em comum neste sentido. Malan também fez uma apresentação para os participantes sobre o crescimento da produtividade na economia brasileira. "A única base para o crescimento sustentado no longo prazo é o crescimento de produtividade, e é o que vem ocorrendo no Brasil ao longo dos últimos anos. É o que está se mostrando na competitividade dos nossos agronegócios e setores da indústria, como o aço, É por isso que há medidas protecionistas contra esses setores, onde o Brasil é altamente competitivo", afirmou.

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