Malan duvida da meta de inflação para este ano

O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan não acredita que o governo possa cumprir a meta de 8,5% definida para a inflação deste ano. Malan afirma que a inércia inflacionária "está claramente perdendo força" e aposta em uma trajetória declinante para os índices de inflação neste ano e para 2004. "O que realmente importa é que a inflação está em nítida trajetória declinante", disse em entrevista ao Estado.Em sua primeira entrevista após o período de quarentena a que se submeteu ao deixar o governo em janeiro passado, o ex-ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso prevê que a taxa de inflação nos próximos 12 meses será inferior à do ano passado, "em pelo menos quatro pontos porcentuais".Malan aposta na continuidade de queda da inflação no próximo ano, na preservação da política de câmbio flutuante e na redução das taxas de juros. Na opinião do ex-ministro, "é possível, desejável e imprescindível combinar inflação sob controle com crescimento no governo Lula".Malan disse também que não há uma taxa ideal para o câmbio em um regime de taxas flutuantes como é o nosso, hoje, no qual o real tanto pode se valorizar quanto desvalorizar em relação a outras moedas. "Não é, por certo, desejável um excesso de volatilidade ou flagrantes exageros (overshootings) em uma ou outra direção. Mas estes podem e devem ser reduzidos através do conjunto de ações do governo voltados para inspirar confiança no País e em seu futuro. E não através de compra e venda de divisas pelo Banco Central, visando definir ou defender, no mercado pronto, uma taxa, um piso ou um teto para o câmbio. Mesmo as intervenções ditas indiretas do BC, que podem existir (ver caso do porcentual das rolagens), não devem ter como objetivo a defesa de uma taxa específica", afirmou o ex-ministro.

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