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Malan e Armínio acompanham volatilidade dos mercados

Ministério da Fazenda e o Banco Central acompanham com atenção a volatilidade dos mercados nos últimos dias. A variação do risco Brasil, a queda na bolsa e a alta do dólar são considerados movimentos naturais, embora preocupantes, deste período em que a antecipação do debate eleitoral introduziu um grau de incerteza na economia com que todos esperavam conviver somente no segundo semestre. O ministro Pedro Malan e o presidente do BC, Armínio Fraga, estão convencidos, segundo assessores, de que nenhum fato novo justifica a maior volatilidade de hoje no mercado. Esperam, no entanto, que o bom senso prevaleça e se possa avançar no processo eleitoral sem traumas para a condução da política econômica. Esses assessores admitem que o fato de se trazerem para o presente as incertezas do processo eleitoral - naturais na fase atual de pré-campanha - contribuem para a volatilidade dos mercados. "Não existem dados ocultos sobre as condições da economia brasileira. O fator eleitoral está gerando uma incerteza que pode ganhar maior ou menor intensidade", reconhecem os assessores. Eles chamam atenção, no entanto, para o fato de que não se devem dimensionar as análises das agências de rating. O Banco Central está elaborando um estudo, que será divulgado em breve, evidenciando as distorções observadas no passado recente entre as análises dos operadores dessas agências e os resultados concretos na economia. "O País já conviveu com momentos de crises, deterioração das expectativas e previsões pessimistas que não se confirmaram", lembram os assessores. Segundo fontes do governo, não se pode esquecer que a economia brasileira tem mecanismos de auto-correção de rumo como, por exemplo, a própria política de câmbio flutuante. Os mesmos assessores ponderam, ainda, que as agências de rating "estão sempre olhando para o futuro" e, portanto, consideram que o governo não ficará paralisado diante das emergências. É fato, por exemplo, que a força-tarefa criada para antecipar a votação da proposta da CPMF no Senado está em campo, embora se tenha consciência das dificuldades políticas que contornam a discussão, como o fator eleitoral. " Não deve haver dúvidas de que o governo não colocará em risco a estabilidade econômica. Portanto, a perda de receita da CPMF será recomposta, seja por mais imposto ou por corte de despesa", reforçam assessores de Malan e Armínio Fraga. O cenário eleitoral está introduzindo incertezas, mas há também problemas externos, e o principal deles é a crise da Argentina.

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