Malan é contrário à ampliação do Conselho Monetário

O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan afirmou nesta quinta-feira que é contrário à ampliação na composição de membros do Conselho Monetário Nacional (CMN). Em entrevista concedida à rádio Eldorado, ele disse que já existe uma percepção dos sentimentos da opinião pública e que as questões discutidas nas reuniões do conselho devem ficar restritas às pessoas do governo, não podendo ser adiantadas a um grupo limitado de representantes da sociedade."Quando o conselho discute questões que são de governo, isso devia estar restrito a pessoas do governo, que têm responsabilidade naquela decisão", observou o ex-ministro da Fazenda. "Há uma clara percepção do debate público. Embora se possa desenvolver consultas, na reunião formal, onde se decidem coisas, não deveria haver uma mini assembléia geral, com alguns tendo acesso a informações antes de outros", acrescentou.A ampliação do CMN, atualmente composto pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, foi sugerida no dia 15 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). As entidades propõem o aumento para nove membros, sendo mais dois representantes do governo, dois dos empresários e dois das centrais sindicais.Segundo Malan, a "percepção dos sentimentos da opinião pública" é feita de maneira constante, por meio de declarações veiculadas na imprensa por diversos setores da sociedade. "Nós temos uma das mais livres imprensas do mundo em desenvolvimento, onde tudo é discutido, tudo é apresentado. As opiniões da sociedade e dos vários interesses são claramente articuladas todo dia, em cada momento, nos jornais, nas rádios, na televisão", argumentou.Taxa de jurosO ex-ministro da Fazenda disse que, apesar de a taxa de juros brasileira continuar em níveis elevados (atualmente em 19,25% ao ano), ela não é sustentável por um período prolongado de tempo. De acordo com ele, os juros deverão iniciar uma trajetória de queda ainda em 2005, assim que acontecer uma convergência para as metas de inflação perseguidas pelo Banco Central e estabelecidas pelo CMN."As taxas estão altas, tanto em termos nominais quanto reais. "Não tenho dúvida que elas terminarão por iniciar uma trajetória de declínio ainda este ano, na medida que haja uma convergência para as metas estabelecidas pelo governo", comentou Malan. "Quando se toma um horizonte de tempo apropriado, nos próximos 18 meses ou 24 meses, acho que nós estaríamos convergindo para as metas", acrescentou.Demanda por créditoMalan afirmou que os recentes dados que mostram expansão na demanda por crédito no País têm ligação com o desejo da população de ampliar o próprio consumo. Para ele, ainda há espaço para esse movimento continuar em ritmo de expansão."Os dados mostram um aumento de investimento e de consumo na economia e o crédito faz parte deste processo. O Brasil é um dos países do mundo onde existe a mais baixa relação de crédito como um todo o Produto Interno Bruto da economia", opinou. "Acho que há um espaço para a expansão do crédito no Brasil", adicionou o ex-ministro, ressaltando que os consumidores acompanham de maneira constante a interferência dos juros neste processo.

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