Malan e Fraga terão encontro com banqueiros europeus

A série de contatos que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, terão na próxima semana com autoridades monetárias, banqueiros e investidores europeus está sendo elogiada como mais um esforço positivo da equipe econômica para tentar serenar os ânimos do mercado em relação ao Brasil e estancar a diminuição das linhas de crédito para as empresas do País.Para os analistas, Fraga e Malan, que contam com um grande respeito na comunidade financeira internacional, serão recebidos com interesse e simpatia e poderão obter até alguns compromissos positivos. Mas a mudança do sentimento do mercado em relação ao País neste momento está basicamente condicionada a uma melhora da conjuntura da economia global e com os rumos da sucessão presidencial, dois fatores que fogem ao controle da equipe econômica.O estrategista para mercados emergentes do banco Merryll Lynch em Londres, Ed Butchart, disse à Agência Estado que "é sempre útil manter contatos freqüentes com a comunidade financeira internacional e Malan e Fraga terão condições de esclarecer alguns pontos de interrogação sobre a economia brasileira". Mas Butchart está cético sobre a possibilidade de a equipe econômica obter promessas de um rápido restabelecimento das linhas de crédito ou conseguir reverter a enorme cautela em relação ao Brasil no curto prazo.Ele observou que os ativos brasileiros nos últimos dias vêm sendo pressionados principalmente pelo quadro internacional, com os investidores temerosos com os rumos das economias norte-americana e européia e também com a crescente possibilidade de um ataque militar contra o Iraque. "Nesta semana, a principal causa de pressão sobre os mercados brasileiro está aqui fora, no exterior", disse Butchart. "A melhora do sentimento em relação ao Brasil não depende dos bancos centrais ou bancos privados, mas sim do quadro externo e dos rumos da sucessão presidencial." (João Caminoto, segue)Malan inicia viagem por MadriO ministro da Fazenda, Pedro Malan, desembarca em Madri neste domingo, primeira parada de sua viagem que incluirá também Londres e Paris. Na manhã de segunda-feira, ele se reunirá com autoridades monetárias e diretores dos bancos Santander, BBVA e Atlântico, na sede do banco da Espanha. O ministro irá almoçar com investidores espanhóis e, às 12h45, (hora de Brasília) concederá coletiva à imprensa na embaixada brasileira.Na terça-feira de manhã, em Londres, Malan terá uma reunião na sede do Banco da Inglaterra também com autoridades monetárias e banqueiros britânicos e irá almoçar com investidores. À tarde, o ministro terá um encontro com o chanceler Gordon Bown, responsável pela pasta econômica do governo do primeiro-ministro Tony Blair. No dia seguinte, Malan completa a viagem mantendo encontro com autoridades e banqueiros em Paris.Fraga, estará entre sábado e segunda-feira na cidade da Basiléia, na Suíça, para participar da reunião anual do Banco de Compensações Internacionais (BIS). Na terça-feira, Fraga participará de encontros com investidores em Frankfurt, na Alemanha. Na quarta-feira, o presidente do BC estará em Amsterdã, na Holanda, em outra reunião com investidores. Fraga concederá um coletiva na sede do ABN Amro às 10h30 (hora de Brasília). O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcos Caramuru, irá manter na próxima semana contatos com banqueiros e autoridades em Tóquio.Brasil paga preço mais alto por incertezas globais, Caja MadridO diretor do departamento de economia internacional do banco espanhol Caja Madrid, José Ramón Díez, salientou que há uma conjunção de fatores penalizando o Brasil. Segundo ele, com as crescentes incertezas no quadro global, a aversão ao risco entre os investidores é muito elevada e está provocando um fuga para investimentos considerados mais seguros, como os títulos dos países ricos, ouro e para o setor imobiliário. "E com as incertezas políticas na América Latina e também com as dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida brasileira, o Brasil acaba pagando o preço mais alto, estamos vendo isso nos últimos dias", disse Diéz.Segundo o analista, a equipe econômica está tentando "garantir nesse período difícil a manutenção de pelo menos um mínimo de crédito ao País com a esperança de que após três ou quatro meses, o quadro político no País esteja definido e a volatilidade internacional comece a ser superada." Diéz acredita que Malan e Fraga, a exemplo do que ocorreu na reunião de Nova York no mês passado, obterão votos de confiança e promessas de manutenção das linhas de crédito. "Mas uma reversão substancial dos créditos, no curto prazo, é improvável", disse. "E o importante é verificar, nesses tempos turbulentos, se os bancos vão realmente fazer o que dizem."

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