Malan elogia compromissos firmados por Lula

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, considerou "importante" os compromissos firmados pelo candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva na "Carta ao Povo Brasileiro" apresentada pelo petista, no último sábado. Malan criticou, entretanto, a demora em Lula assumir compromissos como a manutenção da obtenção de superávits primários no futuro, o controle da inflação e o respeito a contratos. "Acho que isso (assumir compromissos) é resultado de um debate. Eu só gostaria que tivesse vindo antes. Mas antes tarde do que nunca", disse Malan, em resposta ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Durante o debate com o senador petista, Malan já havia saudado em outras ocasiões a mudança de postura do PT com relação a algumas questões político-econômicas. "A maior contribuição que os agentes políticos podem dar é deixar com clareza para o eleitor exatamente quais são os seus planos. Não são detalhes. São os compromissos básicos. E eu vejo que isso está acontecendo e só posso saudar isso como algo positivo", afirmou. Malan defendeu a necessidade de o Congresso votar a proposta de emenda constitucional que flexibiliza o artigo 192, da Constituição, que trata do sistema financeiro brasileiro. Malan disse concordar com a análise do senador Jeferson Peres (PDT-AM), que considerou que a aprovação da PEC do artigo 192 funcionaria hoje como um fator para reduzir o grau de instabilidade no mercado financeiro. "Concordo integralmente com o senhor. A aprovação do substitutivo seria um fator de redução do grau de instabilidade e poderíamos estar avançando em outras discussões, como a autonomia operacional do Banco Central", disse. O ministro insistiu que "tem dificuldades de entender" porque alguns parlamentares recusam-se a votar a PEC. Malan disse ainda, em resposta a Peres, que todos os que estão seriamente interessados em ter uma transição política mais tranqüila deveriam preservar Armínio Fraga como presidente do Banco Central por alguns meses no início de 2003. "Só terá a ganhar quem preservar Armínio Fraga por alguns meses no Banco Central para assegurar uma transição tranqüila e menos custosa", acrescentou.SocorroO ministro mostrou-se favorável à possibilidade de se estabelecer acordos com outros países para um socorro mútuo em caso de ataque especulativo. A afirmação foi uma resposta à colocação de Jeferson Peres, de que a Coréia do Sul, China, Malásia e Tailândia estariam fechando um acordo para que suas reservas cambiais fossem utilizadas como lastro para este socorro. Malan afirmou que já apresentou uma proposta semelhante no BIS (Banco Interamericano de Compensações), argumentando que os países industrializados já têm mecanismo semelhante. Ele afirmou que, no caso da Ásia, as reservas cambiais, que estão acima de US$ 100 bilhões, permitem este tipo de articulação. Sem citar nominalmente a Argentina, Malan afirmou que ?no caso de um vizinho nosso? as reservas montam apenas US$ 9 bilhões, quase toda proveniente de empréstimos do FMI. Jeferson Peres propôs parcerias com o México e o Chile. Ele considerou que a proposta de um socorro mútuo é importante principalmente por ancorar expectativas. "É melhor lançar o recurso de várias âncoras", concluiu. DívidaMalan afirmou que a preservação do superávit primário na magnitude que tem sido executada pelo governo vai assegurar a redução da relação dívida-PIB dos atuais 54,6% para 46%, em 2010. Segundo o ministro, isso será possível se for mantido o crescimento de 3,5 a 4% do PIB e uma taxa de juros real em torno de 10%. O ministro não explicitou qual seria a taxa de câmbio utilizada para fazer esse cálculo. No início do governo Fernando Henrique Cardoso, a meta de 46% na relação dívida-PIB era pretendida para o ano 2000.

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