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Malan nega que corte seja pressão pelo atraso da CPMF

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, negou hoje que o anúncio do corte de R$ 5,3 bilhões no Orçamento seja uma pressão do governo sobre o Congresso Nacional por causa do atraso na votação da proposta de emenda que prorroga a vigência da CPMF. "Se (você diz que) é pressão, eu diria que não. Nós não precisamos disso (corte no Orçamento) para fazer pressão", disse. Malan lembrou que, por diversas vezes, já havia informado que qualquer frustração seria compensada com bloqueio de gastos e aumento de recursos por meio de tributação. O ministro da Fazenda insistiu em que, por diversas vezes, ouviu pessoalmente de líderes do PFL que o partido saberia fazer a distinção entre diferenças político-partidárias e interesses maiores do País. "E é exatamente do que se trata no momento, do interesse do País", disse.O ministro reafirmou que o governo não deixará de governar até o último dia e "não precisa receber recados de quem quer que seja." A uma pergunta sobre a autoria desses recados, Malan limitou-se a responder: "Vocês sabem quem é." Ele se referia ao pré-candidato do PT à presidência Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que seu partido não pode ser responsabilizado pela turbulência que o País enfrenta neste momento.ResponsáveisEle disse que o corte no Orçamento não é sinalização para o mercado. A mensagem que o governo tem repetidamente dado ao mercado, segundo o ministro, é a afirmação de que "o governo não deixará de governar até o último dia" e "não se eximirá de suas responsabilidades".O secretário-executivo da Fazenda, Amaury Bier, que também participou da entrevista, disse que, se nas próximas revisões das projeções de receitas e despesas (dia 23) for detectada necessidade de ajustes nos outros Poderes da União, o governo poderá enviar ao Judiciário e Legislativo sugestões de que façam em seus orçamentos bloqueios semelhantes ao anunciado hoje pelo Poder Executivo. Enorme pesarMalan afirmou que o corte de R$ 5,3 bilhões no Orçamento atingirá "a esmagadora maioria" dos Ministérios. Malan enfatizou que áreas como saúde, educação, previdência e reforma agrária foram poupadas. "Os outros ministérios serão afetados, é inexorável." O ministro insistiu em que o corte foi adotado "com enorme pesar". Malan frisou ainda que cada ministério definirá as prioridades e fará os ajustes necessários ao novo corte no Orçamento.O secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guardia, que também participa da entrevista, frisou que os ministérios que têm um orçamento mais concentrado em despesas de custeio foram preservados. Segundo Guardia, o Ministério das Relações Exteriores, a Advocacia Geral da União, a vice-presidência da República e a presidência da República tiveram um corte de 10% nas dotações já a partir de maio. "Para os demais, foi utilizada a mesma regra, com um ajuste de 21,9% nos limites de movimentação, empenho e pagamentos", afirmou.O ministro da Fazenda afirmou que está mantida em R$ 7,5 bilhões a projeção de superávit calculado pelo governo para as estatais federais este ano. Ele disse que, apesar de alguns resultados desfavoráveis no início deste ano, os dirigentes das empresas explicaram que a obtenção de superávit não é linear ao longo do ano e reafirmaram a meta projetada originalmente.

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