Malan questiona alta de gastos do governo

Com queda da receita, é ''insustentável'', diz ex-ministro

Ana Conceição, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2009 | 00h00

O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan afirmou ontem que a elevação dos gastos públicos combinada com a queda da receita fiscal, verificada no início deste ano, é uma equação "insustentável" que pode provocar aumento da inflação ou da taxa de juros. Durante a palestra no evento "Crise Econômica Mundial e o Brasil", Malan defendeu um aumento de gastos do governo, mas de forma temporária e em programas de estímulo à economia, como, por exemplo, os investimentos em infraestrutura. Não é o que o País está fazendo neste momento, em que a elevação de gastos se dá principalmente pelo aumento da máquina administrativa, disse."O Brasil deveria olhar a crise como uma oportunidade", afirmou a uma plateia formada por empresários, estudantes e políticos do PSDB e do DEM, entre eles o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O governador José Serra (PSDB) era esperado no evento, mas não compareceu.Como tem escrito em artigos recentes, Malan elogiou a continuidade das políticas econômicas do governo FHC durante a gestão Luiz Inácio Lula da Silva e disse que essa continuidade explica, em parte, a maior resistência do Brasil diante da crise.Malan não arriscou outras previsões sobre a economia brasileira. Esse papel coube ao economista Kenneth Rogoff, professor de Economia e Políticas Públicas da Harvard University. Rogoff estimou que o PIB brasileiro deve recuar 2% em 2009 para voltar a crescer 4% em 2010. "O crescimento do Brasil será maior do que o de outros países nos próximos anos. Isso porque o País não apresentou os graves problemas das nações desenvolvidas nessa época de crise, como por exemplo o alto endividamento da população e problemas graves no mercado financeiro."Rogoff alertou, contudo, que o Brasil tem problemas a resolver, entre eles o aumento do tamanho do governo e a baixa taxa de investimentos, hoje em 19% do Produto Interno Bruto (PIB). A exemplo de Malan, o economista também citou a infraestrutura como um setor muito problemático no País.Quanto às perspectivas para a economia mundial, Rogoff afirmou que os países desenvolvidos, em especial os Estados Unidos, não podem voltar ao padrão anterior à crise, formado por taxas de poupança muito baixas, consumo excessivo e falta de regulação do sistema financeiro. "Os Estados Unidos têm de consertar esses desvios. Sem isso, os problemas da economia vão continuar."Rogoff disse que a recuperação da economia mundial será muito lenta e com riscos de contração em alguns momentos. Segundo ele, a atual crise econômica é a mais profunda e abrangente dos últimos 70 anos.

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