Malan tenta acalmar investidores espanhóis

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, desembarcou neste domingo em Madri, primeira parada de seu giro na Europa que tem o objetivo de acalmar os temores dos investidores em relação às perspectivas da economia brasileira e garantir a manutenção das atuais linhas de crédito para as empresas do País.Ainda na noite deste domingo, Malan participa de um jantar com um pequeno grupo de investidores na sede da embaixada brasileira na capital espanhola. Segundo seus assessores, trata-se de um encontro informal. A agenda oficial do ministro será iniciada nesta segunda-feira, com um encontro com o vice-governador do Banco da Espanha, Gonzalo Gil.Em seguida, ainda na sede do banco central espanhol, ele se reunirá com representantes de bancos, entre eles do Santander, BBVA e Atlantico. Após um encontro com o ministro das Finanças da Espanha, Rodrigo Rato, Malan almoçará na embaixada brasileira com um grupo de investidores e concederá uma coletiva à imprensa.Com essa série de reuniões com autoridades monetárias, banqueiros e empresários europeus, Malan pretende mostrar que "não há nada de errado com a economia brasileira". Ele acredita que o efeito o prático dos encontros será o mesmo obtido na reunião realizada no mês passado, em Nova York, na sede do Federal Reserve, na qual vários bancos estrangeiros garantiram a manuntenção das atuais linhas de crédito para as empresas brasileiras e manifestaram confiança no gerenciamento econômico do País. A reunião de Nova Iorque serviu também, na interpretação da equipe econômica, para mostrar que o Brasil tem o apoio dos governos de vários países ricos. Os banqueiros e empresários espanhóis estão particularmente preocupados com a economia brasileira. Durante a década de 90, a Espanha foi responsável pela metade dos cerca de US$ 140 bilhões em investimentos diretos europeus na América Latina. Pelo menos US$ 40 bilhões dos cofres espanhóis foram destinados ao Brasil.Já pressionados pelas grandes perdas na Argentina, os espanhóis vêm monitorando atentamente o desenrolar da crise brasileira. Os resultados dos bancos e empresas com exposição no mercado brasileiro já foram afetados nos últimos meses. Além disso, as ações de grupos presentes no Brasil, como os bancos Santander, BBVA e as empresas Telefónica e Endesa também vêm sofrendo impacto negativo com a volatilidade.Essa conjuntura adversa fez com que emergisse na Espanha uma série de críticas pelo fato de as empresas e bancos do país terem direcionado seus investimentos para a América Latina, concentrando assim o risco em apenas uma região. Banqueiros, empresários e até mesmo autoridades espanholas vêm rechaçando essas análises, garantindo que os investimentos em países como o Brasil são de longo prazo e vão mostrar-se estrategicamente importantes nos próximos anos.Em meio a esse clima de ansiedade, a visita de Malan vai despertar muito interesse entre os espanhóis. Os banqueiros devem reafirmar sua confiança na estabilidade econômica brasileira. O presidente do Santander, Emílio Botin, por exemplo, ao visitar o Brasil no mês passado, disse que o seu banco iria manter as linhas de crédito para o País e se mostrou tranqüilo com a possibilidade de uma vitória oposicionista nas eleições de outubro.Já os empresários devem reafirmar os seus compromissos de longo prazo com o País. Serão manifestações públicas, recheadas de palavras tranqüilizadoras e de confiança. Mas nos bastidores, os espanhóis - e outros investidores europeus com negócios no Brasil - vão continuar apreensivos com os rumos da economia brasileira, pelo menos até terem uma noção clara da política econômica a ser adotada pelo próximo governo."Em relação ao Brasil, todo mundo aqui e em outros países apertou o botão de pausa", disse à Agência Estado o diretor de um banco espanhol. Segundo ele, a promessa de manter os atuais níveis de crédito ao País é positiva, mas não representa necessariamente maior confiança na economia brasileira. "Muitos bancos já tinham reduzido sua exposição ao Brasil antes da reunião de Nova Iorque e então ficou fácil assumir o compromisso de não reduzi-la ainda mais."Ele acrescentou que "resta agora cruzar os dedos e torcer que para que o programa do próximo governo brasileiro seja sensato e também que a economia global dê sinais consistentes de recuperação".

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