Malan torce pela Argentina e faz previsões para o Brasil

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou nesta sexta-feira que espera que a situação argentina seja equacionada ainda neste ano, apesar do alto custo que significará para a população do país.Em entrevista à Radiobrás, o ministro destacou que a superação da crise política e econômica vivida pelo principal sócio do Brasil no Mercosul é de interesse direto do País e deixou claro que tem a certeza do apoio internacional às medidas que serão adotadas por Buenos Aires "no momento apropriado"."Qualquer conjunto de eventos que leve a Argentina a equacionar o seu problema político-institucional, a constituir uma equipe econômica coesa em torno do que está sendo feito, a apresentar um programa econômico com o mínimo de coerência e consistência e a obter o apoio e o respaldo internacional interessa ao Brasil", afirmou."Ao Brasil e aos brasileiros interessa uma Argentina estável, política, institucional e economicamente, e crescendo. Isso acabará acontecendo, a um custo alto, que eles já estão pagando."Embora tenha admitido que há saídas para a situação da Argentina, Malan esquivou-se de apresentá-las durante a entrevista. Conforme explicou, tratam-se de questões que devem ser resolvidas exclusivamente pelos argentinos, assim como as iniciativas adotadas pelo Brasil foram tomadas pelos brasileiros. "Nós não gostávamos quando recebíamos conselhos dos outros."Malan ainda confirmou as estimativas oficiais e de mercado mais otimistas para a economia brasileira em 2002, na comparação com os indicadores fechados no ano passado.Declarou que a crise de energia será uma "página virada", mas que a confirmação desse cenário depende de um contexto internacional mais favorável - o que inclui a solução para a crise argentina.Portanto, desde que não haja uma catástrofe externa ou doméstica, o ano será melhor para o Brasil do que 2001. Conforme enumerou, haverá crescimento econômico maior - estimativas de mercado apontam algo como 2,4%. A inflação deve manter-se dentro da meta fixada - de 3,5%, com variação 2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo.Segundo Malan, haverá ainda redução da necessidade de financiamento externo do balanço de pagamento em US$ 8 bilhões a US$ 9 bilhões, em relação a 2001, e um saldo na balança comercial de cerca de US$ 5 bilhões.Esse cenário leva em conta, além da superação da crise argentina, a recuperação da economia norte-americana "em algum momento de 2002", a melhora da situação na Europa e o equacionamento de alguns problemas vividos há uma década pelo Japão.No plano interno, Malan destacou que a crise energética "não será mais um problema para o futuro". Ele explicou que o contexto internacional e a redução do consumo de energia no País impediram que o Brasil se valesse de seu potencial econômico em 2001.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.