Malan vê "ignorância" no comportamento do mercado

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, usou palavras duras ao criticar o comportamento do mercado financeiro nos últimos dias, durante reunião promovida pelo Banco Mundial com importantes e investidores internacionais. "Há uma ambição infecciosa, um medo infeccioso e também uma ignorância", disse Malan ao comentar o que está ocorrendo no mercado brasileiro. De acordo com ele, o mercado, em um comportamento típico de manada, está se movendo em uma direção única motivado por esse "medo infeccioso". Durante a reunião, o economista para mercados emergentes do Deutsche Bank, Leonardo Leiderman, disse que apesar da resposta correta da equipe econômica brasileira aos vários choques sofridos nos últimos anos, o Brasil enfrenta ainda dois problemas cruciais, que são a falta de crescimento econômico e o crescimento preocupante da relação dívida/PIB. "Para o Brasil gerar mais tranqüilidade depois das eleições, precisa não só estabilizar a relação dívida/PIB, mas também melhorar esse indicador. Porém, o mercado não vai reagir a promessas, somente a fatos", disse Leiderman. O ministro Malan, em sua intervenção, disse que a dívida brasileira é sustentável e criticou o que chamou de "uma ignorância" do mercado ao achar que a relação dívida/PIB somente irá se mover em uma direção. "Do mesmo jeito que a relação dívida/PIB em julho refletiu a depreciação do câmbio naquele mês, o resultado de agosto irá capturar o efeito de apreciação do câmbio", afirmou Malan. O ministro disse que a dívida do setor privado não apresenta problema sistêmico e que a manutenção do superávit primário de 3,75% do PIB nos próximos anos, se mantidas algumas variáveis, poderá tender não só à estabilização da dívida mas também a uma redução da dívida/PIB. ?Atitude de macho?O diretor de pesquisa econômica e de estratégia do banco Goldman Sachs, Paulo Leme, disse concordar que a dívida brasileira é sustentável, mas lembrou que o choque externo sofrido pelo Brasil, traduzido na redução do fluxo de capital, como FDI e linhas comerciais ao País, tem sido impressionante no último ano, pelo menos tendo impacto de mais de 3% do PIB, afirmou. Leme disse que é preciso um maior ajuste fiscal, representado em um aumento da meta do superávit primário, hoje em 3,75%. "O importante não é só o tamanho desse superávit primário, mas a qualidade. Ou seja, desta vez concentrando-se no corte de gastos", afirmou. Em resposta a essa questão, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que a questão do superávit primário está em constante revisão e que mudanças poderiam ser feitas quando e se necessárias. "Mantemos as nossas opções em aberto. O importante é conquistarmos a credibilidade através de um histórico de desempenho e não uma credibilidade conquistada na forma de uma atitude de macho, ou seja, estabelecendo metas que não podem ser atingidas", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.