Mali é o quarto país da África na lista de clientes militares

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2015 | 02h04

A aviação de combate da República do Mali, no norte da África, vai à luta contra os radicais islâmicos e as tribos nômades de tuaregs - habitantes do deserto que apoiam os rebeldes - a bordo de turboélices A-29 Super Tucano, de ataque ao solo e treinamento de pilotos.

O negócio, avaliado em US$ 100 milhões, foi anunciado ontem em Paris pela Embraer Defesa e Segurança (EDS) e envolve seis aeronaves, mais os meios de suporte logístico (peças, componentes, documentação técnica) e a instalação de um sistema de instrução de pessoal.

Cuidadoso, o ministro da Defesa do Mali, Tieman Coulibaly, disse que o esquadrão será empregado "em missões de vigilância das fronteiras e de segurança interna". Claro, será mais que isso.

A força aérea do Mali tem apenas dois caças MiG-21, supersônicos fabricados há 38 anos pela extinta União Soviética. O país é muito pobre - apenas 1,6% da população de 12 milhões de pessoas dispõem de água encanada e o Produto Interno Bruto não passa de US$ 14,5 bilhões.

A riqueza nacional é formada a partir da produção de algodão de alta qualidade e da extração de ouro. A aquisição dos A-29 faz do Mali a quarta nação da África equipada com o avião brasileiro, ao lado de Burkina Fasso, Mauritânia e Angola.

Em janeiro de 2013, quando militantes de três movimentos radicais islâmicos ameaçavam tomar a capital, Bamako, o governo de Ibrahim Keita pediu apoio armado à França. A Operação Serval, bem sucedida, afastou o perigo mas deixou evidente a necessidade da criação de forças efetivas, treinadas e equipadas. No rastro dessa demanda é que se abriu a oportunidade para a EDS.

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