MAN negocia construção de nova fábrica de caminhões

Grupo conversa com vários Estados, mas aposta em acordo com o governo do Rio para adquirir área ao lado da atual, em Resende

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h06

O grupo MAN/Volkswagen, líder do mercado brasileiro de caminhões, com 30% de participação nas vendas, deve anunciar até o fim do mês a construção de uma nova fábrica, provavelmente ao lado da atual, em Resende (RJ). Embora negocie com outros Estados, a empresa acredita que chegará a um entendimento com o governo carioca para uma expansão local.

Idealizadora do sistema modular de produção, em que os fornecedores atuam ao lado da linha de montagem, a companhia pretende utilizar a estrutura já montada no Rio desde 1996 para ampliar a capacidade produtiva em cerca de 50% a partir de 2014.

A nova fábrica faz parte do plano de investimento de R$ 1 bilhão anunciado pelo grupo para os próximos três anos, que pode ser ampliado. "Para termos preços competitivos precisamos ter o menor custo possível de capital e investimento", afirma Roberto Cortes, presidente da MAN/Volkswagen.

"Se o governo do Rio conseguir equacionar nossa demanda, a tendência é ficar por lá", diz Cortes. Ele confirma, porém, estar negociando com vários outros Estados, incluindo São Paulo e Pernambuco. Se decidir pela ampliação em Resende, o grupo precisará adquirir novo terreno ao lado do atual.

A unidade de Resende tem capacidade para produzir anualmente 82 mil caminhões e ônibus, volume que será ampliado para 100 mil este ano. Com a nova fábrica, essa capacidade poderá crescer "no mínimo mais 50%", calcula Cortes.

Apesar da queda de vendas projetada para este ano no mercado de caminhões, de cerca de 10%, o executivo aposta em retomada nos próximos anos, principalmente para atender à demanda do transporte de produtos em geral e daqueles ligados aos eventos da Copa e da Olimpíada.

Além disso, Cortes acredita que as medidas incluídas no pacote de incentivo à indústria lançado recentemente pelo governo - uma delas a da redução de juros no Finame para compra de caminhões - ajudarão as vendas. "Sem as medidas, o mercado cairia de 15% a 20%." Em 2011, foram vendidos 172,9 mil caminhões, 9,6% a mais que em 2010.

Ontem, a empresa apresentou o novo caminhão extrapesado TGX, o primeiro com selo MAN feito no País e que custará R$ 420 mil. O grupo incorporou a marca Volkswagen há três anos. A empresa fez 240 mudanças no projeto europeu. "Mudamos alguns itens, como o reforço de eixo e molas, e introduzimos outros, como o câmbio automático com 16 marchas", diz Cortes. O europeu tem 12 marchas.

Com o TGX, a montadora espera conquistar mais dois pontos porcentuais de participação no mercado de caminhões. A marca, líder de mercado, atuava nos segmentos de leves, médios e pesados com modelos Volkswagen. Agora, se prepara para entrar no segmento de semileves.

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