Manager: invista em sua formação

Fontes oficiais, onde se inclui o próprio presidente da República Fernando Henrique Cardoso, preconizam, para 2002, crescimento da economia brasileira de pelo menos 2,5 %, com tendência para 3%. Há outros indicadores que podem dar certa consistência ao crescimento como, por exemplo, os juros de 1,5% que serão praticados pelos Estados Unidos no próximo ano. Essa taxa, já definida pelo Banco Central dos EUA, é a mais baixa em quatro décadas e deve impedir a desaceleração das economias americana e mundial. Internamente, há claras demonstrações de que o ano deverá ser pelo menos razoável, apesar das indefinições externas como no cenário do Oriente Médio e da Argentina. O Ministério da Agricultura brasileiro, por exemplo, espera para o ano agrícola 2001/2002 uma colheita recorde de cereais, leguminosas e fibras, da ordem de 101 milhões de toneladas. Além disso, o novo ano começa com a perspectiva de que a gasolina seguirá custando, no varejo, 20% menos do que custava em dezembro. Outro dado relevante, este na área de trabalho, mostra que em 2001 os cofres da Previdência receberam um recolhimento recorde de R$ 62,3 bilhões, tendo, apenas o 13º salário, agregado mais R$ 8 bilhões a essa conta no final do ano. Esses números na área trabalhista indicam que existe no mercado mais gente com carteira assinada. Mais que isso, mostram que tais recursos podem "anabolizar" o setor da construção civil onde, historicamente, atua a mão-de-obra numericamente mais consistente e menos qualificada. A construção de casas e apartamentos é feita, em grande parte, com recursos originários da previdência dos trabalhadores, o famoso Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Assim, para os gestores de empresa, é importante acompanhar essas nuanças do mercado porque elas têm um relacionamento direto com suas ações e com as carreiras de seus subordinados. Só para citar mais um dado, vale lembrar que em 2002 serão votadas no Senado as alterações na CLT, as quais permitirão que os acordos coletivos ganhem mais força nas relações patrão/ empregado. Essa alteração, que o governo chama de flexibilização, implicará importantes mudanças nas empresas.Oferta de empregosNum cenário com essas características, é sempre necessária uma avaliação cuidadosa para aqueles que eventualmente estejam pensando em trocar de emprego ou fazer um upgrade da carreira. Se há crescimento econômico, mesmo modesto, as empresas estarão mais dispostas a contratar e, por isso, vale a pena sondar as ofertas. Segundo analistas, nos grandes blocos econômicos, os bancos e financeiras deverão aparecer com destaque na oferta de empregos. A construção civil, a indústria de alimentos e a de insumos agropecuários também são fortes candidatas a empregadoras no ano novo. Mais modestos na oferta de empregos estarão os setores automobilístico e da indústria de base. Do comércio, tanto atacado quanto varejo, é esperado um bom desempenho no que diz respeito à oferta de vagas.Invista na sua formaçãoQualquer que seja a perspectiva econômica, porém, o gestor deve investir em sua carreira, buscando conhecimento. A empregabilidade é função direta do saber. Há centenas de cursos regulares, de graduação e pós-graduação, que agregam muito valor às carreiras. É preciso, porém, estar atento para que não se gastem tempo e dinheiro em cursos de segunda linha. Para tanto, convém dar uma boa olhada nas notas obtidas pelas faculdades no chamado provão. Elas são um indicador expressivo de qualidade. Cabe ressaltar, ainda, que o mundo globalizado exige gestores que dominem o inglês, cuja melhor forma de aprender são os cursos de imersão no exterior. Não se deve descartar, porém, o estudo regular da língua em escolas de renome instaladas no Brasil, muitas vezes eficientes e relativamente baratas. Outro detalhe: cursos de extensão universitária como os famosos MBA, especialmente aqueles dados no exterior, podem pôr boa dose de brilho num currículo e, portanto, na carreira.

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