Mandelson culpa os EUA por falta de acordo na OMC

O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, responsabilizou indiretamente nesta sexta-feira os Estados Unidos pelo impasse nas negociações comerciais globais, dizendo que para quebrar esse impasse o governo americano deve reduzir suas exigências de cortes em subsídios agrícolas europeus e adotar um tom mais realista nas negociações. Falando durante uma visita à capital finlandesa, Helsinki, Mandelson disse que um acordo ainda pode ser alcançado, mas não se o preço a pagar for muito alto. As negociações comerciais da chamada Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) estão em um ponto crítico. As negociações têm como objetivo alcançar um acordo global de comércio que ofereça vantagens aos países em desenvolvimento. Mas a falta de acordo sobre questões-chave, como os subsídios agrícolas, e o acesso a mercados tem se mostrado difícil de superar. Prazo A OMC estabeleceu um prazo até o dia 30 de abril para um acordo básico sobre essas questões, o que poderia abrir o caminho para um acordo geral até o final do ano. Agora, os negociadores dizem que é quase certo que o prazo não será cumprido. Os negociadores estão pressionados a conseguir um acordo até julho, quando expira o prazo do chamado fast track americano, o mandato concedido ao presidente americano para negociar acordos de livre comércio e submetê-los ao Congresso sem possibilidade de emendas pelos parlamentares. O comissário europeu do Comércio também criticou alguns países em desenvolvimento, como o Brasil e a Índia, por ainda não terem oferecido cortes nas tarifas de importação de produtos industrializados. Porém Mandelson colocou grande parte da responsabilidade pela falta de um acordo nos Estados Unidos. Ele observou que, enquanto a União Européia já reduziu seus subsídios aos agricultores, os Estados Unidos ainda não cortaram seus gastos na agricultura. Ainda assim, o governo americano pede mais concessões aos europeus. Ele concluiu dizendo que a Rodada de Doha ainda pode ter sucesso, mas somente se os principais atores das negociações tivessem a coragem de negociar ao invés de se esconder atrás de exigências pouco realistas.

Agencia Estado,

21 Abril 2006 | 10h47

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